17h02 - quinta, 01/11/2018

A demência


Cláudia Silva
A demência refere-se a um conjunto de sintomas que caraterizam um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É, portanto, um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais.
Embora a doença de Alzheimer seja a mais conhecida, existem outro tipo de demências que se assemelham nos efeitos causados na pessoa, mas se distinguem pelas diferentes partes do cérebro que afetam. Enunciando apenas alguns exemplos, incluem-se nas demências: a vascular, de corpos de Lewy, alcoólica ou a associada à doença de Parkinson. Contudo, a doença de Alzheimer continua a ser a mais comum, representando 50 a 70% de todos os casos.
Embora a demência esteja comumente relacionada ao processo de envelhecimento, pois surge com mais frequência em pessoas com mais de 65 anos, a verdade é que pode surgir também em pessoas com idades entre os 40 e 60 anos.
Tecnicamente falando, existem dois tipos de doença de Alzheimer: a esporádica e a familiar. Esta última é muito menos comum e está associada á existência de um gene mutado, sendo este tipo que se relaciona com o surgimento da doença em idades mais precoces. Se um dos progenitores tem um gene mutado, cada filho terá 50% de probabilidade de herdá-lo. No que se refere à doença de Alzheimer esporádica, esta pode manifestar-se independentemente da existência ou não de familiares com esta doença, não havendo até à data uma causa (genética ou ambiental) estabelecida. A nível mundial, esta demência afeta uma em cada 80 mulheres e uma em cada 60 homens, com idades compreendidas entre os 65 e 69 anos. Acima dos 85 anos, para ambos os sexos, a relação verificada é de aproximadamente uma em cada quatro pessoas.
Com vista a que se possa atrasar a evolução da doença, importa que esta seja identificada o mais precocemente possível. Aqui surge a primeira dificuldade, pois o seu diagnóstico não é feito através de nenhum teste específico. É necessária uma avaliação detalhada da história médica, um exame físico, neurológico e intelectual aprofundado, bem como uma avaliação psiquiátrica e neuropsicológica, complementada por análises laboratoriais ao sangue e urina.
Neste sentido, os familiares são essenciais para que a identificação da doença possa ocorrer mais rapidamente, devendo estar atento aos sinais e sintomas. As fases iniciais podem ser muito subtis, sendo que lapsos de memória frequentes e dificuldade em encontrar as palavras certas para objetos do quotidiano podem ser sinais de alerta. Esteja atento também: à dificuldade persistente na memória para acontecimentos recentes; a um discurso vago; perda de entusiasmo na realização de atividades que antes gostava; incapacidade para compreender questões; deterioração de competências sociais; ou reações emocionais imprevisíveis.
Este é um trabalho que necessita da colaboração ativa da população em geral, pois de acordo com o relatório da OCDE ("Improving the lives of people with dementia"), mais de metade dos casos estão por diagnosticar.
Em dados recolhidos entre 2016 e 2017, concluiu-se que entre os 28 países estudados, quase todos têm capacidade para estabelecer a primeira avaliação e um pré-diagnóstico, mas depois apenas oito conseguem chegar a diagnóstico final e iniciar o tratamento ainda nos cuidados de saúde primários.
Em Portugal, na grande maioria das situações a identificação de casos suspeitos é realizada nos cuidados de saúde primários e o diagnóstico final e tratamento é depois realizado por especialistas já em meio hospitalar, ficando vários casos por diagnosticar.
A título de exemplo, um dos países que já conta com uma resposta mais organizada e célere é a Noruega, onde existem "equipas da memória" na comunidade, constituídas por profissionais de saúde que vão visitar as famílias e ainda formam outros profissionais que se constituem parceiros (como polícias). Deste modo, representam um papel determinante na fase de pré-diagnóstico como no seguimento da pessoa com demência.
É verdade que a acessibilidade aos cuidados de saúde é uma competência das organizações de saúde, no entanto, os próprios (pessoa e família) têm de se envolver ativamente e coresponsabilizar-se pela procura e exigência de qualidade nos cuidados de saúde!

A autora utiliza o
novo Acordo Ortográfico



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