10h30 - quinta, 17/01/2019

Haverão menos idosos na próxima década?


Cláudia Silva
Será que o aumento da longevidade e, portanto, do envelhecimento que se tem vindo a verificar se alterou? Ou verificar-se-á um aumento abrupto da taxa de natalidade que, em proporção, diminuirá a percentagem de idosos? Não, de fato não se trata de nenhuma das situações. Com base no pressuposto de que a idade cronológica que marca o início da velhice nem sempre coincide com a biológica, recentemente, em Itália, a idade a partir da qual a pessoa é considerada idosa foi alterada para 75 anos. Nesta perspetiva, caso outros países se sigam, é possível que estatisticamente se altere o número de pessoas idosas.
De acordo com a Sociedade Italiana de Gerontologia e Geriatria, o marco de 65 anos está ultrapassado, na medida em que atualmente uma pessoa com essa idade detêm as capacidades físicas e cognitivas de uma de 40, há cerca de trinta anos.
A definição de pessoa idosa relaciona-se com questões sociais, culturais, económicas e financeiras dos países, pois estas são determinantes para a saúde da mesma; para o seu bem-estar físico, psíquico, social e emocional.
A maioria dos países desenvolvidos assume a designação de "idoso" para a pessoa com 65 ou mais anos, pelo que esta alteração para os 75 anos só poderá decorrer de alterações paralelas nas políticas públicas de saúde.
Será que Portugal poderá vir a seguir este exemplo? Vejamos então, de acordo com os dados da OCDE, a expetativa média de vida em Portugal é inferior à de Itália, sendo de, respetivamente, 81 e 83 anos. Para além de vivermos menos anos, ainda os vivemos com menos saúde, pois enquanto que os italianos vivem mais 10,3 anos com saúde após os 65 (acima da média da OCDE que é de 9,8), os portugueses vivem apenas mais sete anos. Este dado revela ainda que decorreu um decréscimo de dois anos relativamente a 1995, ano em que a média de anos com saúde dos portugueses além dos 65 era de 9,1 anos. 
A saúde é um dos aspetos mais valorizados, refletindo-se, naturalmente, noutros indicadores como seja a qualidade da rede de apoio social, o equilíbrio trabalho-família ou envolvimento cívico, nos quais Itália apresenta valores muito superiores a Portugal. Talvez a explicação para esta medida assumida por Itália possa estar, em parte, na leitura destes indicadores. Terá esta alteração implicações práticas a longo prazo para a população italiana? Não sei, talvez seja cedo para antever, contudo, existem outros países que apresentam uma média de anos com saúde superior (Suécia e Noruega – 15 anos) e mantêm o marco nos 65 anos!
Não sei se esta poderá vir a ser uma realidade para as pessoas idosas de Portugal, mas a ser, talvez seja necessário um esforço paralelo do país na definição de políticas com impacto a longo prazo, que tenham como princípio fundamental a valorização do capital humano. Penso que na próxima década ainda não existirão menos pessoas idosas. Contudo, essa não será a questão mais importante: o importante será a manutenção da saúde, independentemente da fase do ciclo de vida!

A autora utiliza o novo
Acordo Ortográfico



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