15h08 - quinta, 31/01/2019

A Terra está a morrer


Fernando Almeida
Tem sido notícia ultimamente, e vem assinada por insuspeitas instituições científicas e civis: diz-se que 60% dos vertebrados desapareceram da Terra nos últimos 40 anos; que desapareceram 55% dos passeriformes das áreas rurais da União Europeia nos últimos 30 anos; que no centro de França desapareceram 33% das aves nos últimos 15 anos; que na Inglaterra se perderam mais de 50% das aves nos últimos 45 anos; que na Alemanha, mesmo nas áreas protegidas, se perderam recentemente 75% dos insetos voadores…
Este já nem é assunto que esteja em dúvida ou em relação ao qual possa haver suspeitas de viciação de dados. Todos nós, pelo menos os que andam por esta terra há mais anos, o podemos sentir diariamente: há menos aves, como há menos anfíbios, menos répteis, menos mamíferos, menos peixes, menos insetos, menos de tudo.
Lembro-me que há anos os fruticultores chineses de algumas regiões começaram a andar pendurados nas pereiras, de pincelinho na mão, de flor em flor, a fazer o que os polinizadores desaparecidos já não faziam. Agora, ensaiam o uso de "drones" que possam pulverizar as árvores e polinizar as flores para que possa haver fruta, porque os polinizadores ainda não voltaram.
Aos que colocam a economia acima do equilíbrio da natureza e da própria saúde e bem-estar de todos nós, deve perguntar-se se já pensaram qual o valor do "trabalho" destes animais para a produção agrícola e florestal. Quanto vale a atividade de uma humilde abelha que visita e poliniza dezenas ou centenas de flores por dia? Quanto se teria que pagar a alguém para andar de pincelinho na mão, de flor em flor a polinizar cada uma das flores das nossas árvores de fruto? E quanto teria que se pagar a alguém para que substituísse os pássaros insetívoros, e que passasse os dias a caçar insetos que prejudicam os nossos sobreiros? E quanto vale o "trabalho" dos morcegos que caçam traças noturnas, mesmo quando estamos a dormir? E os sapos, rãs e salamandras que limpam as hortas e pomares? E quanto vale mesmo o "trabalho" dos predadores que caçam preferencialmente animais fracos e doentes garantindo-nos populações saudáveis para o futuro?
Sabemos que alguns, toldados pela cegueira dos cifrões, nem se importam de envenenar a própria água que bebemos, mas a maioria das pessoas de mente sã e bons princípios já percebeu que temos vindo a caminhar na estrada errada, e que é urgente mudar de rumo.
Fala-se por todo o lado de uma nova agricultura, e em alguns países como a Dinamarca avança-se a passos largos no caminho de formas de produção de alimentos sustentáveis. Em breve deverá acontecer um referendo na Suíça em que se pode vir a interditar o uso de todos os inseticidas sintéticos, bem como a importação de bens alimentares que apresentem vestígios da sua utilização. De resto, mais que as leis, muda em ritmo acelerado a preferência dos consumidores, que cada vez mais escolhem bens alimentares que considerem seguros e sem vestígios de agroquímicos perigosos.
E essa é talvez a mudança mais definitiva e incontornável: mudem ou não as leis, mais cedo que alguns pensam, os produtos agrícolas produzidos de forma não "amiga do ambiente e do consumidor" deixarão simplesmente de ter mercado e perderão valor até que a sua produção seja totalmente inviável.
Pelo contrário, para as produções agrícolas sustentáveis pode adivinhar-se um futuro bem mais risonho. Cabe-nos a nós, continuar na cauda da Europa copiando tardiamente aquilo que vai mudando nos países mais desenvolvidos, ou pelo contrário ter a capacidade de antecipação e não ficar para trás nesta corrida pelo sucesso económico e sustentabilidade ambiental. Também pelas decisões e mesmo pelas opiniões se pode avaliar a capacidade e visão de cada um…

O autor utiliza o novo
Acordo Ortográfico



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Data: 17/01/2020
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