15h21 - quinta, 28/02/2019

O cigarro bom, o cigarro mau e o coração?!


Cláudia Silva
Os efeitos nocivos do tabaco convencional na Saúde são sobejamente conhecidos, principalmente no que se refere ao sistema cardiovasculares – o coração.
O tabaco convencional é responsável por 30% de todas as mortes, sendo o fator de risco que, isoladamente, mais contribui para a mortalidade cardiovascular – o cigarro mau.
O fumo mata, seja inalado de forma ativa ou passiva, contudo, ainda assim se mantêm como um problema de saúde real. Em virtude desta evidência, a indústria começou a desenvolver produtos alternativos, tendo surgido o cigarro eletrónico e, mais recentemente, o cigarro aquecido. Este último é tido como menos nocivo – o cigarro bom – em que não há combustão, pois apenas aquece. Sendo um produto recente, os seus riscos e toxicidade poderão ainda não ser devidamente conhecidos e/ou difundidos.
Um estudo realizado em 2017 pelo Instituto Nacional de Saúde Pública do Japão avaliou os vários compostos nocivos existentes no fumo e enchimento de um cigarro aquecido (nicotina, alcatrão, monóxido de carbono e nitrosaminas específicas do tabaco) e comparou-os com as concentrações do cigarro de combustão convencional. Concluiu-se que as concentrações de nicotina eram quase as mesmas dos cigarros de combustão convencionais, enquanto a concentração de nitrosaminas era um quinto e o monóxido de carbono era um centésimo dos cigarros de combustão convencionais.
De facto as concentrações são inferiores, mas também é um facto que estes compostos tóxicos não foram completamente removidos do fumo do cigarro aquecido, pelo que será necessário considerar os efeitos sobre a saúde da população.
Por cá, a nossa legislação parece acompanhar a evidência científica, já que desde 1 de janeiro de 2018 que não é permitido utilizar o cigarro aquecido em espaços fechados, evitando assim a inalação passiva. O conceito de fumar passou a abranger os novos produtos do tabaco sem combustão que produzam aerossóis, vapores, gases ou partículas inaláveis.
O fato é que nesta história não existe um cigarro "bom" ou um cigarro "mau", existem apenas pessoas, cuja saúde – em particular, o coração – é gravemente afetada pelo consumo de tabaco, seja o convencional, eletrónico ou aquecido!
O tabaco continua a ser um fator de risco importante para a doença cardíaca, pelo que é determinante que as organizações de saúde continuem a desenvolver medidas de sensibilização para o seu controlo e/ou eliminação!

A autora utiliza o novo
Acordo Ortográfico



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