12h05 - quinta, 09/05/2019

Uma fonte de desenvolvimento


Carlos Pinto
Uma viagem rápida pelo arquivo disponibilizado online pela RTP permite-nos "viajar no tempo" até ao dia 10 de Maio de 1969, véspera da inauguração da futura barragem de Santa Clara, então denominada Barragem Marcello Caetano. Através da visualização da reportagem transmitida nesse dia temos a real noção do que era o território do interior do concelho de Odemira antes da conclusão desta infra-estrutura, que custou quase um milhão de contos à época. "Uma obra de fins múltiplos", como referia ao jornalista Faria Ferreira, da Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos, destacando a importância de Santa Clara para o incremento do regadio no Litoral Alentejano, mas também para a regularização do caudal do Mira, para o abastecimento público e para o aumento (e melhoria) da rede rodoviária da região.
Meio século depois, e independentemente do cariz ideológico de quem ordenou a sua construção, é por demais evidente que o surgimento da barragem nas imediações da aldeia de Santa Clara-a-Velha foi fundamental permitiu uma transformação por completo do que era o território do concelho, sendo uma verdadeira fonte de desenvolvimento do interior ao litoral.
Por tudo isto, a efeméride dos 50 anos da barragem de Santa Clara exige ser assinalada. Mas deve também servir para traçar novas metas e abrir outros horizontes, até porque nas águas da albufeira de Santa Clara reside um tremendo potencial que vai muito mais além do abastecimento às populações e dos canais de rega. Veja-se o caso do turismo e do combate à desertificação.
Tal como sucede com o Alqueva noutras latitudes do Alentejo, também a barragem de Santa Clara pode (e deve) ser um instrumento fundamental para travar a "litoralização" do(s) nosso(s) território(s), possibilitando mais desenvolvimento económico e coesão social.

2. A Assembleia Municipal de Odemira aprovou uma moção, apresentada pelos eleitos do PS, onde exige ao Governo medidas preventivas imediatas "quanto a novos investimentos em instalações agrícolas no território" [ver página 8]. Uma posição acertada e atempada, para evitar que o crescimento da actividade agrícola coloque em causa os valores naturais da região. O território é de todos e tem de haver espaço para todos... com bom-senso e razoabilidade!



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