12h28 - quinta, 23/05/2019

A morte súbita!


Cláudia Silva
Maio é o mês em que se celebra o "Coração"! Ao longo de todos o país, com o objetivo de promover e prevenir as doenças cardiovasculares, são desenvolvidas várias atividades para relembrar a importância de manter estilos de vida saudáveis; seja, por exemplo, através de uma alimentação regrada, com baixo teor de gorduras saturadas e açucares, seja através da realização da prática regular de exercício físico.
Os estilos de vida saudáveis permitem prevenir a ocorrência e/ou reduzir os fatores de risco, como, por exemplo, o colesterol elevado ou hipertensão arterial. Estes fatores concorrem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como é o caso, por exemplo, do enfarte agudo do miocárdio, que apresenta risco de vida iminente e que pode conduzir a uma morte súbita cardíaca.
Por definição, a morte súbita é um evento fatal inesperado, não traumático, que ocorre num período de uma hora a partir do início de sintomas num indivíduo aparentemente saudável. Cerca de 90% das situações de morte súbita são devidas a condições cardíacas potencialmente fatais, mecânicas ou elétricas, que podem ser adquiridas ou congénitas – morte súbita cardíaca (MSC).
Estima-se que a MSC seja responsável por uma em cada 1.000 mortes/ ano, não escolhendo idades! Enquanto nas pessoas idosas a MSC se relaciona com doenças degenerativas próprias do processo de envelhecimento, nos jovens a maioria deve-se a anomalias congénitas (de nascença) que se desenvolvem ao longo da infância e/ou adolescência.
A cardiomiopatia hipertrófica é a primeira causa de MSC entre os jovens, sendo uma doença que atinge o músculo cardíaco, tornando-o anormalmente espesso. Deste modo, o bombeamento de sangue pode ficar comprometido e o sistema elétrico do coração pode ser afetado. Muitas vezes, os primeiros sintomas podem surgir mais tarde, pelo que é essencial o envolvimento da população, com especial atenção para os pais, professores e treinadores. Os sinais de alerta poderão ser dor no tórax, palpitações, síncopes após um esforço e cansaço ou dificuldade respiratória excessiva e inexplicável.
Em particular, todas as crianças/jovens que pratiquem desporto federado devem realizar uma avaliação específica com profissionais de saúde especializados (cardiologista ou de medicina desportiva), pois o exercício físico vigoroso aumenta o risco de MSC. Adicionalmente, familiares de pessoas que tenham falecido de MSC têm maior probabilidade de ter uma doença arritmogénica hereditária, pelo que também se recomenda a avaliação cuidada dos mesmos.
No que à comunidade diz respeito, sabendo que a paragem cardíaca na maioria das pessoas ocorre devido a arritmias malignas, como a fibrilhação ventricular, em que o único tratamento é a desfibrilhação, torna-se determinante a disseminação da formação acreditada em Suporte Básico de Vida e o acesso a desfibrilhadores automáticos externos em locais estratégicos onde se possa antever a maior probabilidade de MSC!

A autora utiliza o
Novo Acordo Ortográfico



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Data: 27/03/2020
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