17h54 - sexta, 20/09/2019

Neoplasias mieloproliferativas


Jorge Freitas
As neoplasias mieloproliferativas, em particular, a Mielofibrose, a Policitemia Vera e a Trombocitemia Essencial, representam um grupo heterogéneo de distúrbios do sistema hematopoiético associado a sintomas debilitantes com consequente redução da qualidade de vida nestes doentes e com um impacto negativo nas atividades de vida diária destes.
O diagnóstico e o tratamento dos doentes com neoplasias mieloproliferativas evoluíram com a identificação de mutações que ativam a via JAK (mutações JAK2, CALR e MPL) e com o desenvolvimento de terapêuticas direcionadas, resultando em melhorias significativas nos sintomas e na qualidade de vida relacionados com a doença.
No entanto, certos aspetos da gestão clínica em relação ao diagnóstico, avaliação da carga de sintomas e seleção de terapêuticas adequadas direcionadas aos sintomas continuam a apresentar desafios para profissionais que lidam diariamente com estes doentes.
Estas neoplasias ocorrem com mais frequência em pessoas com mais de 65 anos e homens têm mais probabilidade de serem afetados do que mulheres.
A etiologia e patogénese permanecem pouco esclarecidas. Para além da falência medular e das citopenias periféricas, comuns nas diversas formas destas neoplasias, a proliferação clonal de progenitores hematopoiéticos associada a mutações genéticas e/ou epigenéticas hereditárias ou adquiridas pode também estar presente.
Os sintomas mais importantes a considerar e decorrentes destas doenças, podem incluir a fadiga, o prurido, suores noturnos, dor abdominal, saciedade precoce (estes dois relacionados com esplenomegalia), sendo a fadiga, o sintoma mais frequente e mais severo reportado pelos doentes.
Os recentes estudos apontam que entre os doentes com neoplasias mieloproliferativas, os doentes com Mielofibrose são geralmente os que reportam maior carga sintomática e menor qualidade de vida.
As guidelines da NCCN (National Comprehensive Cancer Network) recomendam a avaliação e monitorização destes sintomas utilizando a escala MPN-10. Esta escala é de autoavaliação, utilizada pelos doentes e inclui a avaliação de 10 sintomas, numa avaliação que vai dos 0 aos 100 pontos.
Alterações na sintomatologia podem ser sinais de progressão de doença e, por isso, poderá ser um indicador da necessidade de reavaliação da evolução da doença e/ou da abordagem terapêutica. É uma ferramenta muito útil a utilizar pelos profissionais na abordagem destes doentes validando o seu estado de saúde no momento da consulta presencial.
Partindo destas necessidades, a AEOP está a desenvolver um estudo nacional onde inclui diferentes centros de norte a sul do país, que tratam e acompanham estes doentes, no sentido de avaliar e monitorizar os sintomas nos doentes com neoplasias mieloproliferativas, através desta escala MPN-10, aplicada pelas equipas de enfermagem destas unidades hospitalares envolvidas.
Tem uma outra vertente que é planear um eficaz acompanhamento contínuo destes doentes, com vista à melhoria da sua qualidade de vida e diminuição da carga sintomática. Sabemos que intervindo à priori nestas patologias, conseguindo que os doentes conheçam e colaborem ativamente na prevenção do aparecimento dos sintomas, aumenta a sua qualidade de vida, dá mais segurança aos profissionais que os tratam e contribui para uma maior eficácia do tratamento.
Para aumentar esta eficiência nas intervenções dos profissionais, o grupo de investigadores construiu três documentos que descrevem e orientam o doente para a prevenção dos sintomas mais importantes em cada patologia (Mielofibrose, a Policitemia Vera e a Trombocitemia essencial).
Esta estratégia de incluir um documento informativo dirigido visa otimizar as orientações e indicações dos profissionais para com o doente.

O autor utiliza o
novo Acordo Ortográfico



Outros artigos de Jorge Freitas

COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado

07h00 - quinta, 28/05/2020
CM Alcácer oferece
10 mil máscaras
A Câmara de Alcácer do Sal entregou nesta quarta-feira, 27, um total de 10 mil máscaras cirúrgicas de protecção individual contra a Covid-19 a 12 instituições de solidariedade social do concelho.
07h00 - quinta, 28/05/2020
CM Sines promove
arrendamento social
A Câmara de Sines vai reabrir as candidaturas ao Subsídio Municipal ao Arrendamento, destinado a agregados familiares que se encontrem em situação de carência habitacional efectiva ou iminente, e que manifestem "incapacidade económica para suportar o valor da renda habitacional".
07h00 - quinta, 28/05/2020
Obras de requalificação
no Parque do Rio da Figueira
A Câmara de Santiago do Cacém já iniciou as obras de requalificação e modernização dos equipamentos desportivos do Parque Urbano do Rio da Figueira, em Santiago do Cacém, investimento avaliado em cerca de 250 mil euros.
07h00 - quarta, 27/05/2020
CM Alcácer do Sal
requalifica EB1
A Câmara de Alcácer do Sal já tem a decorrer as obras de requalificação da Escola Básica (EB) 1 loca, conhecida como Escola de Telheiros, num investimento municipal avaliado em quase 1,3 milhões de euros.
07h00 - quarta, 27/05/2020
Obras avançam em
Cercal do Alentejo
A Câmara Municipal de Santiago do Cacém tem a decorrer diversas obras na freguesia de Cercal do Alentejo, trabalhos que foram visitados no final da passada semana pelo presidente da autarquia, Álvaro Beijinha.

Data: 22/05/2020
Edição n.º:

Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial