12h08 - quinta, 18/06/2020

A falta que faz o governador civil


Carlos Pinto
Em Julho de 2018, em entrevista ao "SW", o presidente da Câmara Municipal de Odemira afirmou peremptoriamente que a extinção do cargo de governador civil de Beja prejudicou a região e "desagregou" o distrito. "Não só porque se perdeu uma ligação muito importante entre os serviços locais, as autarquias e o Governo, mas também porque se perdeu uma voz activa e permanente no distrito. Beja perdeu afirmação", argumentava José Alberto Guerreiro.
Agora, quase dois anos depois, foi a vez do secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, que assumiu a coordenação regional do combate à Covid-19, considerar que este tipo organização "faz todo o sentido", sobretudo no interior, onde o Estado "foi perdendo presença".
"Faz todo o sentido que exista, não digo um secretário de Estado regional, mas alguém que possa fazer este trabalho ao nível local, ao nível regional, para que a articulação dos serviços possa funcionar de uma forma mais eficaz", argumenta Jorge Seguro Sanches [ver notícia na página ao lado].
Estas duas opiniões, espaçadas no tempo mas similares no conteúdo, vão de encontro àquilo que muitos baixo-alentejanos sentem desde a decisão do Governo PSD/ CDS-PP em Setembro de 2011: faz muita falta ao distrito um governador civil. Talvez tal não suceda em regiões mais urbanas como Lisboa, Porto ou Braga, mas em territórios como o de Beja (ou Évora ou Portalegre ou mesmo Faro) o papel do governador civil era de uma importância extrema. Era através dele que autarcas, instituições sociais, associações desportivas ou movimentos de cidadãos, entre outros, chegavam com muito maior celeridade aos "centro de decisão", leia-se, aos ministérios espalhados pelo Terreiro do Paço e arredores. O governador civil era uma voz ouvida na região, mas sobretudo em Lisboa. E isso fazia toda a diferença.
É por tudo isto, que continua a fazer sentido reivindicar pela reversão desta decisão. Porque dar um passo atrás nem sempre é um erro. É sinal de inteligência quando reconhecemos estar perante uma má decisão.



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