quinta-feira, 22/01/2026

Acesso em saúde continua desigual

Humberto Martins
O relatório Acesso a Cuidados de Saúde 2025, da Universidade Nova SBE, confirma a perceção existente: há um relato de aumento de doença nos portugueses (45,5% dos portugueses sentiram?se doentes em 2025), aumentando entre os mais desfavorecidos (67%).
A desigualdade traduz-se não apenas porque as pessoas com menores capacidades económicas se sentem mais doentes, mas também porque reportam maiores dificuldades no acesso a cuidados de saúde. E esta desigualdade revela-se nas diversas dimensões estudadas neste inquérito que avaliou as barreias de acesso aos cuidados de saúde.
Nessas barreiras estudaram-se o acesso a medicamentos, a (falta de) cobertura por médico de família, as dificuldades decorrentes de transportes ou quebras de rendimento para ir aos cuidados de saúde, bem como perceção de demoras prolongadas.
Nos dados respondidos pelos portugueses, por exemplo, mais de metade das pessoas com menos recursos não comprou toda a medicação prescrita, ilustrando a desigualdade económica no acesso ao tratamento de que necessitam. O medicamento, atendendo ao valor não comparticipado pago por cada um, é o principal responsável pelos pagamentos diretos suportados pelos cidadãos na saúde (contrariamente a taxas moderadoras, cuja isenção é já quase generalizada).
A falta de médico de família, que se agravou na última década, tornou-se mais um fator de iniquidade: os mais pobres têm menor probabilidade de ter médico atribuído e, por consequência, maior probabilidade de adiar cuidados, recorrer a urgências ou não recorrer ao sistema de todo. Apesar do esforço de cobertura universal do Serviço Nacional de Saúde, esta desigualdade de acesso decorre do facto de zonas mais carenciadas atraírem menos profissionais de saúde e assim agravar-se o ciclo de privação económica que resulta em pior saúde.
Não obstante, o relatório aponta também para evoluções positivas: o recurso à linha telefónica SNS24 antes de se deslocar a uma urgência hospitalar parece estar a influenciar positivamente os cuidados prestados. Nos casos avaliados assiste-se a uma redução de casos leves e pouco graves nas urgências com resposta assegurada de forma rápida com consulta médica nos centros de saúde (geralmente até ao dia seguinte) e evitando as prolongadas esperas nestes casos. Do mesmo modo, é identificado que o recurso à autodeclararão de doença em 20% das ausências laborais por motivo de saúde (a declaração é feita pelo próprio doente sem necessidade de ir a uma unidade de saúde) terão libertado horas de trabalho dos médicos para se dedicarem a cuidados de saúde e a responder a necessidades em saúde mais importantes que o trabalho burocrático de “passar atestados”.
Deste estudo de 2025 emerge o desafio para em 2026 se diminuírem as assimetrias no acesso a cuidados de saúde, nomeadamente em relação a desigualdades económicas que agravam a condição de saúde.
O acesso à saúde no contexto do SNS não pode assim depender do código postal de cada um, nem variar consoante a carteira ou o conhecimento do funcionamento de saúde. É importante continuar a reduzir estas barreiras porque são também fonte de agravamento do estado de saúde que penalizará os mais doentes, mas também a coesão e sustentabilidade do país.
A desigualdade traduz-se não apenas porque as pessoas com menores capacidades económicas se sentem mais doentes, mas também porque reportam maiores dificuldades no acesso a cuidados de saúde. E esta desigualdade revela-se nas diversas dimensões estudadas neste inquérito que avaliou as barreias de acesso aos cuidados de saúde.
Nessas barreiras estudaram-se o acesso a medicamentos, a (falta de) cobertura por médico de família, as dificuldades decorrentes de transportes ou quebras de rendimento para ir aos cuidados de saúde, bem como perceção de demoras prolongadas.
Nos dados respondidos pelos portugueses, por exemplo, mais de metade das pessoas com menos recursos não comprou toda a medicação prescrita, ilustrando a desigualdade económica no acesso ao tratamento de que necessitam. O medicamento, atendendo ao valor não comparticipado pago por cada um, é o principal responsável pelos pagamentos diretos suportados pelos cidadãos na saúde (contrariamente a taxas moderadoras, cuja isenção é já quase generalizada).
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