quinta-feira, 28/01/2021

Voto antecipado

Fernando Fonseca
7h45m; Praça da República; Odemira. Dois graus negativos são motivo suficiente para não se ver vivalma.
Aos cinquenta minutos, um carro branco desce a Rua Alexandre Herculano e vira para o largo do antigo mercado.
Às 7h58 vejo abrir-se a porta da Câmara Municipal. Aproximo-me e a funcionária, entendendo o motivo da minha presença ali, disse-me para subir ao primeiro andar, sala da frente; o salão nobre.
A urna preta está ao centro da extensa mesa e os sete delegados estão prontos para receber os eleitores.
Cumprimento tirando o chapéu, descalço as luvas e retiro da revista do “DN” de domingo passado o comprovativo da inscrição para o voto antecipado e o cartão de cidadão, e entrego-os à presidente da mesa. Lê para os outros: “Fernando dos Reis Fonseca, cidadão nacional nº ******”. Entrega-me o boletim de voto e um envelope branco. Desinfecto as mãos com o gel de um dos doseadores que estão sobre a mesa, pego numa caneta e vou para a cabine de voto pronto para assinalar a minha opção.
Como perfilho o princípio geral de que todo o cidadão é corresponsável pela escolha daqueles a quem compete concretizar as políticas nacionais, procuro ter o cuidado de votar segundo a concepção de Política como a “Arte de Bem Governar” em prol do colectivo plurifacetado, sintetizado na ideia de Povo.
Deparei então com um problema nunca tido no exercício de voto em 46 anos de Democracia. O nome do meu candidato não estava na lista! Ana Ferreira Matias.
Procurei melhor e acabei por descobrir que o meu candidato lá estava, entre os outros, mas alinhado em três posições diferentes no conjunto de sete. As fotos não deixavam dúvidas; e os nomes oficiais pormenorizados: Ana Gomes, João Ferreira, Marisa Matias. Não por esta ordem nem necessariamente segundo a minha preferência. O problema é que para o voto ser considerado válido só poderia assinalar um dos quadradinhos à direita.
No fundo, cada um daqueles terços defende causas da máxima importância, muitas em comum, a começar pela defesa da Constituição da República Portuguesa e a promoção de condições para a concretização de determinações por cumprir. Com experiência da política internacional, provas dadas de luta contra a corrupção, pela Justiça social e no trabalho, pela defesa da Saúde e da Educação públicas, pela defesa das minorias que não poderão nunca ser descartadas, e defesa do planeta por via das medidas climáticas e de tratados internacionais.
Decidido, traço duas fortes diagonais no quadrado escolhido. Dobro o voto e coloco-o no envelope que fecho, passando-o para as mãos da delegada. Coloca-o dentro de outro maior, azul; fecha-o com um selo especial para a acto. Dá-me uma réplica do selo numerado, e o envelope que deposito na urna concluindo o dever cívico de eleitor.
Claro que tenho plena consciência de que Marcelo vai continuar na Presidência. Tive oportunidade de lidar pessoalmente com ele nas famosas RGA’s nas Belas Artes em 1974/75, onde ele aparecia para os debates e, sendo filho e afilhado de quem era, viveu os meses agitados do PREC, pelo que não é alheia ao seu espírito democrático a vivência da pluralidade de pensamento como partes de um todo. Aprecio a presidência que tem protagonizado, mas demarco-me dele pela sua visão situada à direita de Economia.
Grosso modo, entendo que a concepção direitista, além de privilegiar a iniciativa privada e preconizar a privatização de serviços naturalmente da esfera pública, defende os potentados económicos, subentendendo que fazem falta para dar emprego a quem precisa de ganhar o sustento. Quanto à esquerda, perfilha uma repartição proporcionada e justa dos rendimentos, acesso incondicional à Saúde e à Justiça e o direito à habitação, advoga uma Educação que reforce uma cidadania responsável e solidária, instruída e criativa.
Sei que, não chegando o meu candidato à Presidência, o resultado que vier a obter com os resultados do dia 24, se reflectirão na imagem das forças políticas que até agora lhe declararam os apoios. E quer estejam na oposição ou num apoio tipo geringonça, Portugal precisa de políticos que na Assembleia da República unam vontades, eventualmente divergentes nos pormenores, para resolverem os grandes entraves ao desenvolvimento do nosso País.
Entre outras medidas de primeira grandeza,
Uma Educação orientada em primeiro lugar para a Cidadania, potenciadora do gosto pelo saber, da criatividade e da capacidade de resolver projectos úteis para o próprio e para a comunidade, e que introduza o inalienável valor do mérito.
Concretizar políticas e medidas que demonstrem, sem qualquer dúvida, que todos os cidadãos sem excepção ficam a ganhar com a administração do Estado.
Conceber modelos de contratualização, para que quem vive do trabalho por conta de outrem veja reverter em seu proveito uma melhor distribuição da riqueza que ajuda a produzir.
Tolerância zero para corruptores e corrompidos.
Que sejam proscritos paraísos fiscais e offshores e, em contrapartida, criar estímulos sedutores ao investimento interno.
Em contexto de crise nacional (e mundial) como a que vivemos devido à Covid-19, mobilizem-se por requisição civil todos os meios privados para a ultrapassar até que seja reposta a normalidade.
Criar uma Economia sólida com medidas concretas, para não cairmos ainda mais nas malhas dos gigantescos poderes financeiros, por vezes sem rosto nem identidade conhecida, na sua dinâmica agressiva de subjugação à escala mundial.
Aos cinquenta minutos, um carro branco desce a Rua Alexandre Herculano e vira para o largo do antigo mercado.
Às 7h58 vejo abrir-se a porta da Câmara Municipal. Aproximo-me e a funcionária, entendendo o motivo da minha presença ali, disse-me para subir ao primeiro andar, sala da frente; o salão nobre.
A urna preta está ao centro da extensa mesa e os sete delegados estão prontos para receber os eleitores.
Cumprimento tirando o chapéu, descalço as luvas e retiro da revista do “DN” de domingo passado o comprovativo da inscrição para o voto antecipado e o cartão de cidadão, e entrego-os à presidente da mesa. Lê para os outros: “Fernando dos Reis Fonseca, cidadão nacional nº ******”. Entrega-me o boletim de voto e um envelope branco. Desinfecto as mãos com o gel de um dos doseadores que estão sobre a mesa, pego numa caneta e vou para a cabine de voto pronto para assinalar a minha opção.
Como perfilho o princípio geral de que todo o cidadão é corresponsável pela escolha daqueles a quem compete concretizar as políticas nacionais, procuro ter o cuidado de votar segundo a concepção de Política como a “Arte de Bem Governar” em prol do colectivo plurifacetado, sintetizado na ideia de Povo.
Deparei então com um problema nunca tido no exercício de voto em 46 anos de Democracia. O nome do meu candidato não estava na lista! Ana Ferreira Matias.
Procurei melhor e acabei por descobrir que o meu candidato lá estava, entre os outros, mas alinhado em três posições diferentes no conjunto de sete. As fotos não deixavam dúvidas; e os nomes oficiais pormenorizados: Ana Gomes, João Ferreira, Marisa Matias. Não por esta ordem nem necessariamente segundo a minha preferência. O problema é que para o voto ser considerado válido só poderia assinalar um dos quadradinhos à direita.
No fundo, cada um daqueles terços defende causas da máxima importância, muitas em comum, a começar pela defesa da Constituição da República Portuguesa e a promoção de condições para a concretização de determinações por cumprir. Com experiência da política internacional, provas dadas de luta contra a corrupção, pela Justiça social e no trabalho, pela defesa da Saúde e da Educação públicas, pela defesa das minorias que não poderão nunca ser descartadas, e defesa do planeta por via das medidas climáticas e de tratados internacionais.
Decidido, traço duas fortes diagonais no quadrado escolhido. Dobro o voto e coloco-o no envelope que fecho, passando-o para as mãos da delegada. Coloca-o dentro de outro maior, azul; fecha-o com um selo especial para a acto. Dá-me uma réplica do selo numerado, e o envelope que deposito na urna concluindo o dever cívico de eleitor.
Claro que tenho plena consciência de que Marcelo vai continuar na Presidência. Tive oportunidade de lidar pessoalmente com ele nas famosas RGA’s nas Belas Artes em 1974/75, onde ele aparecia para os debates e, sendo filho e afilhado de quem era, viveu os meses agitados do PREC, pelo que não é alheia ao seu espírito democrático a vivência da pluralidade de pensamento como partes de um todo. Aprecio a presidência que tem protagonizado, mas demarco-me dele pela sua visão situada à direita de Economia.
Grosso modo, entendo que a concepção direitista, além de privilegiar a iniciativa privada e preconizar a privatização de serviços naturalmente da esfera pública, defende os potentados económicos, subentendendo que fazem falta para dar emprego a quem precisa de ganhar o sustento. Quanto à esquerda, perfilha uma repartição proporcionada e justa dos rendimentos, acesso incondicional à Saúde e à Justiça e o direito à habitação, advoga uma Educação que reforce uma cidadania responsável e solidária, instruída e criativa.
Sei que, não chegando o meu candidato à Presidência, o resultado que vier a obter com os resultados do dia 24, se reflectirão na imagem das forças políticas que até agora lhe declararam os apoios. E quer estejam na oposição ou num apoio tipo geringonça, Portugal precisa de políticos que na Assembleia da República unam vontades, eventualmente divergentes nos pormenores, para resolverem os grandes entraves ao desenvolvimento do nosso País.
Entre outras medidas de primeira grandeza,
Uma Educação orientada em primeiro lugar para a Cidadania, potenciadora do gosto pelo saber, da criatividade e da capacidade de resolver projectos úteis para o próprio e para a comunidade, e que introduza o inalienável valor do mérito.
Concretizar políticas e medidas que demonstrem, sem qualquer dúvida, que todos os cidadãos sem excepção ficam a ganhar com a administração do Estado.
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