quinta-feira, 19/12/2024

Para onde caminhamos?


Carlos Pinto
Segundo os dados revelados esta semana pelo Barómetro da Imigração, dinamizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, a maioria dos portugueses associa a população estrangeira residente no país ao aumento da criminalidade e aos salários baixos, querendo, por isso, “portas mais fechadas” para aqueles que pretendem entrar em Portugal.
O barómetro revela ainda que muitos portugueses consideram igualmente a atual lei de estrangeiros “excessivamente permissiva em matéria de entradas” no país, defendendo mesmo que deveriam existir no país menos cidadãos oriundos especificamente do subcontinente indiano.
“Observou-se uma oposição extremamente elevada” aos cidadãos oriundos especificamente do subcontinente indiano, “superior à de todos os outros grupos e atingindo níveis não registados nas décadas anteriores” em nenhuma origem, lê-se no estudo, que acrescenta que seis em cada 10 inquiridos – ou seja, 60% – considera que estes imigrantes devem “diminuir ou diminuir muito”.
Se dúvidas houvesse, este barómetro comprova aquilo que nos vamos apercebendo no dia a dia nas ruas, nos cafés e nas redes sociais: somos cada vez mais uma sociedade sem tolerância para com o outro e para com aquele que é diferente, caminhando a “passos largos à retaguarda” para nos tornarmos num país onde impera um sentimento generalizado de racismo e xenofobia.
As causas para este quadro são muitas: desde a falta de estratégias públicas consolidadas de acolhimento de migrantes (não obstante alguns bons exemplos a nível local) à dificuldade destes cidadãos em se integrarem na comunidade, passando, sobretudo, pela disseminação de fake news e pela propagação de discursos populistas, em que o estrangeiro é, invariavelmente, o “mau da fita”.
Até o Governo, onde deve residir o último reduto da resistência a este tipo de mensagens, parece “embarcar” na mesma onde, apontando o dedo aos migrantes como “culpados” pelo mau funcionamento do SNS ou outros serviços públicos.
Por tudo isto, a questão é óbvia: que país estamos a construir? Para onde caminhamos enquanto entidade coletiva que partilha o mesmo espaço territorial? Onde está a nossa capacidade de tolerância e de aceitar/integrar aquele que é proveniente de outras latitudes? A ausência de respostas concretas a estas questões devem preocupar-nos… e embaraçar-nos!

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