quinta-feira, 24/07/2025

Litoral Alentejano: notas ligeiras ao correr da pena

António Martins Quaresma
Neste estio de 2025, têm descido ao Litoral Alentejano, em busca de repouso, de refrigério, de lavar as vistas e de bons petiscos, os numerosos veraneantes que é uso aqui afluírem. É verdade ainda que no ano que passou não houve mês em que se não vissem numerosos visitantes e caminhantes, portugueses e estrangeiros, dando a impressão de um verão permanente – o que relativa a grandeza do presente afluxo estival. De facto, estrangeiros – e não falo dos imigrantes orientais – fazem hoje parte da paisagem humana destes sítios.
Os autóctones, entretanto, levam a sua vida como sempre, boa parte deles no afã de servirem os turistas, dando-lhes de comer e de beber, fornecendo-lhes guarida e proporcionando-lhes algum lazer. Claro que há também quem, como alguns aposentados, libertos da dura luta pela subsistência, tenham ocupações diferentes e ligeiras, no caso concreto do autor desta crónica, não tão ligeiras assim (perdoe-me o paciente leitor a nota pessoal).
Sines, Porto Covo, Ilha do Pessegueiro, Rio Mira/Milfontes e Zambujeira continuam a ser referências maiores na atração desta Costa Alentejana, a que alguns inscientemente teimam em designar por Costa Vicentina, mostrando que o disparate tem muita força. Se dermos crédito às “redes”, o Farol de Milfontes e a Zambujeira rivalizam pelo melhor pôr do sol, assim como, numa observação mais geográfica, o cabo de Sines, a Ilha do Pessegueiro, a foz do Mira e o Cabo Sardão se alçam nos mais notáveis acidentes costeiros. Praias, naturalmente as do Porto Covo/Ilha do Pessegueiro, Malhão/Aivados, as da foz do Mira/Milfontes, Almograve, Zambujeira e outros estreitos areais encaixados entre arribas de xisto.
Pequenos portos de pesca também atraem visitantes, não só pela sua atmosfera especial, mas ainda pelas paisagens marítimas que deles se podem usufruir. São assim o Canal, o de maior dimensão, Lapa de Pombas, Entrada da Barca e Azenha do Mar, de onde provém parte do pescado consumido localmente. O porto de Sines continua, porém, a fornecer, muito do peixe comido nas nossas mesas.
Ocorrem-me algumas nótulas mais sobre o estuário do Mira. Aqui, uma das antigas atrações, o antes chamado “Bosque” e agora geralmente designado por “Cascata”, mudou grandemente, no aspeto físico e na função recreativa. De facto, o Bosque, enaltecido em páginas do Guia de Portugal, de 1927, escritas por José Manuel Sarmento de Beires, era um espaço arborizado e fresco, percorrido por um arroio, que desaguava num vale na margem esquerda do Mira, na Herdade de Vila Formosa, onde a população e os veraneantes iam passar agradáveis momentos. Entretanto, a descarga de um dos canais do Perímetro de Rega do Mira foi lançada para este pequeno ribeiro, engrossou-lhe o caudal e as águas escalvaram o seu leito (daí, depois, a designação de “cascata”). Simultaneamente, outras ações humanas alteraram significativamente o ambiente do Bosque, o que terá contribuído para o seu quase esquecimento enquanto lugar de lazer. O antigo Bosque desapareceu, pois, do imaginário local, enquanto local aprazível, aliás ele seria hoje incompatível com um turismo massificado. Espaços atrativos como o Bosque e o Esteiro (da Gama) praticamente passaram de moda.
Quanto ao estuário, convertido, nos anos de 1970-1990, em perigosa pista de jet-skis, é hoje sobretudo percorrido por canoas desportivas e alguns barcos de transporte recreativo, utilização bem mais apropriada e segura. Um já antigo uso é o de escala, ou visita, de algumas dezenas de iates da navegação marítima de recreio, que todos os anos, sobretudo nos meses de verão, franqueiam a barra do Mira e permanecem alguns dias no fundeadouro habitual. Sendo a barra do Mira algo problemática, devido à escassez de fundos, a entrada exige que as embarcações não excedam determinado calado e que o façam em preia-mar, em especial de marés vivas.
A propósito, quando há poucos anos se atribuía à dragagem a capacidade de abrir o canal de navegação e permitir o acesso à navegação, essa premissa foi piamente acolhida por muitos locais, sobretudo aqueles que não conheciam o projeto e, na verdade, pouco conheciam o rio. E, na altura, ai de quem se atrevesse a contestar os pressupostos fantasiosos do tal projeto!
Voltando, em tom pretensamente trágico-cómico, à afluência estival ao Litoral Alentejano, surpreende-me que as gentes o façam sem temor – inconsciente ousadia tamanha! – que os russos desembarquem, ferozes, nas praias, como o fizeram outrora os corsários magrebinos. Ocorrência naturalmente facilitada por andar a Marinha Portuguesa engajada na santa aliança do Norte, lá para o Báltico, em busca de gambozinos. Pior que isto só mesmo o avistamento repetido de um “tubarão” nas praias de Milfontes, nos anos idos de 2012, facto que, durante dias, teve o condão de lançar o pânico entre os banhistas e a doideira entre as autoridades e os media.
PPP (pronto, para a pena).
Os autóctones, entretanto, levam a sua vida como sempre, boa parte deles no afã de servirem os turistas, dando-lhes de comer e de beber, fornecendo-lhes guarida e proporcionando-lhes algum lazer. Claro que há também quem, como alguns aposentados, libertos da dura luta pela subsistência, tenham ocupações diferentes e ligeiras, no caso concreto do autor desta crónica, não tão ligeiras assim (perdoe-me o paciente leitor a nota pessoal).
Sines, Porto Covo, Ilha do Pessegueiro, Rio Mira/Milfontes e Zambujeira continuam a ser referências maiores na atração desta Costa Alentejana, a que alguns inscientemente teimam em designar por Costa Vicentina, mostrando que o disparate tem muita força. Se dermos crédito às “redes”, o Farol de Milfontes e a Zambujeira rivalizam pelo melhor pôr do sol, assim como, numa observação mais geográfica, o cabo de Sines, a Ilha do Pessegueiro, a foz do Mira e o Cabo Sardão se alçam nos mais notáveis acidentes costeiros. Praias, naturalmente as do Porto Covo/Ilha do Pessegueiro, Malhão/Aivados, as da foz do Mira/Milfontes, Almograve, Zambujeira e outros estreitos areais encaixados entre arribas de xisto.
Pequenos portos de pesca também atraem visitantes, não só pela sua atmosfera especial, mas ainda pelas paisagens marítimas que deles se podem usufruir. São assim o Canal, o de maior dimensão, Lapa de Pombas, Entrada da Barca e Azenha do Mar, de onde provém parte do pescado consumido localmente. O porto de Sines continua, porém, a fornecer, muito do peixe comido nas nossas mesas.
Ocorrem-me algumas nótulas mais sobre o estuário do Mira. Aqui, uma das antigas atrações, o antes chamado “Bosque” e agora geralmente designado por “Cascata”, mudou grandemente, no aspeto físico e na função recreativa. De facto, o Bosque, enaltecido em páginas do Guia de Portugal, de 1927, escritas por José Manuel Sarmento de Beires, era um espaço arborizado e fresco, percorrido por um arroio, que desaguava num vale na margem esquerda do Mira, na Herdade de Vila Formosa, onde a população e os veraneantes iam passar agradáveis momentos. Entretanto, a descarga de um dos canais do Perímetro de Rega do Mira foi lançada para este pequeno ribeiro, engrossou-lhe o caudal e as águas escalvaram o seu leito (daí, depois, a designação de “cascata”). Simultaneamente, outras ações humanas alteraram significativamente o ambiente do Bosque, o que terá contribuído para o seu quase esquecimento enquanto lugar de lazer. O antigo Bosque desapareceu, pois, do imaginário local, enquanto local aprazível, aliás ele seria hoje incompatível com um turismo massificado. Espaços atrativos como o Bosque e o Esteiro (da Gama) praticamente passaram de moda.
Quanto ao estuário, convertido, nos anos de 1970-1990, em perigosa pista de jet-skis, é hoje sobretudo percorrido por canoas desportivas e alguns barcos de transporte recreativo, utilização bem mais apropriada e segura. Um já antigo uso é o de escala, ou visita, de algumas dezenas de iates da navegação marítima de recreio, que todos os anos, sobretudo nos meses de verão, franqueiam a barra do Mira e permanecem alguns dias no fundeadouro habitual. Sendo a barra do Mira algo problemática, devido à escassez de fundos, a entrada exige que as embarcações não excedam determinado calado e que o façam em preia-mar, em especial de marés vivas.
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