07h00 - quinta-feira, 02/04/2026

Jovem “cientista” de Odemira
premiada em Itália

Uma investigação sobre uma espécie invasora na zona do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina valeu à jovem Madalena Oliveira, de Boavista dos Pinheiros, no concelho de Odemira, uma medalha de prata durante uma mostra de ciência realizada na cidade italiana de Milão.
Madalena Oliveira, de 18 anos, esteve em representação de Portugal na competição de ciência “I Giovani e le Scienze”, promovido pela Federazione delle Associazioni Scientifiche e Tecniche (FAST), com o “Estudo da regeneração natural de plantas nativas em solos alterados por Acacia longifolia”, realizada no Clube Ciência Viva/ BIGEO do Agrupamento de Escolas de Odemira, que lhe valeu o segundo lugar.
“Ao receber este prémio senti recompensa e reconhecimento por todo o trabalho que tive, juntamente com a professora Paula Canha, e claramente felicidade e honra por estar a representar o meu país”, conta ao “SW” a jovem cientista.
O projeto premiado, que teve a orientação da professora Paula Canha, já tinha sido o vencedor da edição de 2025 do Concurso Nacional para Jovens Cientistas e Investigadores. O estudo científico avaliou se as alterações do solo provocadas pela invasora Acacia longifolia, nome científico da planta acácia-de-espigas, no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), permitem a regeneração de plantas nativas a partir de sementes.
“É um problema com que nos deparamos principalmente no PNSACV e que poucas pessoas estão informadas e nem sabem da existência da Acacia longifólia, o que ela faz e afeta”, indica Madalena Oliveira, que não esconde que gostaria de ver esta investigação ser aprofundada e, inclusive, aplicada “no terreno”.
“Acho importante arranjar soluções o quanto antes para que daqui a alguns anos ainda existam dunas nativas (ricas em plantas endémicas algumas espécies que só existem no nosso parque e em mais nenhum lugar da europa) e não só acaciais”, justifica.
Madalena Oliveira está atualmente a estudar na Universidade de Évora, onde frequenta a licenciatura em Reabilitação Psicomotora, mas não exclui a possibilidade de voltar à investigação científica.
“Não me vejo por enquanto na área da biologia, mas não digo que um dia mais tarde não volte a estudar e a debruçar-me mais sobre este problema ou até mesmo a participar em investigações na minha área de estudo atual”, admite.
A medalha de prata alcançada por Madalena Oliveira em Milão foi, simultaneamente, mais uma conquista para o Clube Ciência Viva de Odemira/BIGEO, coordenado pela professora Paula Canha e que, anualmente, surge sempre em destaque nas competições científicas destinadas aos mais novos.
Para a docente, este resultado (e outros) são a prova de que “podemos ter esperança no futuro, pois temos jovens inteligentes, entusiasmados e empenhados em melhorar o estado do mundo”.
“Significa também que, apesar de todos os constrangimentos que as escolas apresentam atualmente, temos professores a dar o seu melhor para ajudar estes jovens”, acrescenta.
Paula Canha afirma ainda que os prémios alcançados ao longo dos 25 anos de existência do clube “são uma confirmação do bom trabalho” realizado, “tanto no desenvolvimento de competências transversais, como a incutir nos jovens confiança nas suas capacidades”.
“A confiança é que lhes dá coragem para serem criativos, inovadores e ambiciosos”, conclui.
O projeto de Madalena Oliveira premiado em Itália, intitulado “Estudo da regeneração natural de plantas nativas em solos alterados por Acacia longifolia”, avaliou se as alterações do solo provocadas por planta invasora no PNSACV permitem a regeneração de plantas nativas a partir de sementes.
Os resultados parciais demonstraram que a maioria das espécies não teve a germinação inibida e apresentou respostas variadas no crescimento, com alguns casos até mais favoráveis no solo invadido.
Para a professora Paula Canha, este projeto é um “pequeno, mas valioso contributo” para mostrar que se “podem restaurar dunas hoje ocupadas por acacial”.
“A investigação da Madalena revelou que muitas plantas típicas dos ecossistemas dunares conseguem germinar nos solos modificados pelas acácias, o que é um sinal de esperança para a recuperação destes ambientes tão importantes na proteção do litoral, no turismo, etc.”, acrescenta a docente.

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