07h00 - sexta-feira, 09/12/2016
Justino Abreu Santos e as eleições de 1976
Justino Abreu Santos foi o primeiro presidente da Câmara de Odemira eleito após o 25 de Abril. Quarenta anos depois das eleições de 12 de Dezembro de 1976, recorda em entrevista ao “SW” esses tempos onde tudo estava por fazer. “As dificuldades eram imensas e de todo o género”, diz o ex-autarca, hoje com 76 anos, que liderou o Município odemirense entre 1976 e 1992.
Lembra-se do dia em que foi eleito presidente da Câmara de Odemira?
Lembro-me perfeitamente!
Qual a principal memória que tem desse dia?
A de uma enorme satisfação. Não esperávamos vencer com uma diferença tão grande. Foi uma grande satisfação ter sido o escolhido e na altura toda a gente queria um país novo, um país diferente, um país que o povo sentisse que tinha um futuro melhor à sua frente. Isso realizou-se e nada é comparável ao que era, particularmente o concelho de Odemira, que no meu entender devia ser o concelho mais atrasado do Alentejo, dada a sua dimensão muito grande. Havia zonas que não tinham nada, eram um deserto, nunca lá tinha passado um presidente de câmara.
Quais foram as maiores dificuldades que encontrou?
As dificuldades eram imensas e de todo o género! Água, electricidade, as vias de acesso… O concelho de Odemira tem o tamanho do distrito de Viana do Castelo e uma dimensão duas vezes superior à ilha da Madeira. E havia zonas no interior, na serra de Sabóia, sem um telefone, sem uma estrada…
Não tinhas mãos a medir para tantos problemas.
Era infernal! Para onde quer que nos voltássemos tudo estava por fazer. Era infernal, angustiante, uma pressão enorme que tínhamos. Havia concelhos, como a Vidigueira, que era pequeno, que já estava planear fazer uma piscina quando nós ainda não tínhamos água em 90% da população.
Que prioridades definiu à época?
Fundamentalmente as vias de acesso. Porque um médico sabe o que custa a um doente deslocar-se ao Centro de Saúde. E muitas das vezes as pessoas julgavam que não tinham sequer direito a isso. Era quase kafkiano!
Como olha hoje para o concelho?
Está completamente diferente! Desejava que houvesse alguém que contasse a história do concelho de Odemira e houve uma altura em que pensámos no José Saramago. Para ficar na memória, pois as novas gerações não sabem o que era isto antes. Beja nunca olhou bem para nós, ficamos muito afastados e quem está perto de Beja tem mais atenção. Odemira foi sempre muito esquecido. Houve um governador civil apenas, Manuel Masseno, por quem tenho muita estima, que tinha uma atenção particular por Odemira. Estou-lhe muito grato por todas as atenções que teve pelo povo de Odemira.
Lembra-se do dia em que foi eleito presidente da Câmara de Odemira?
Lembro-me perfeitamente!
Qual a principal memória que tem desse dia?
A de uma enorme satisfação. Não esperávamos vencer com uma diferença tão grande. Foi uma grande satisfação ter sido o escolhido e na altura toda a gente queria um país novo, um país diferente, um país que o povo sentisse que tinha um futuro melhor à sua frente. Isso realizou-se e nada é comparável ao que era, particularmente o concelho de Odemira, que no meu entender devia ser o concelho mais atrasado do Alentejo, dada a sua dimensão muito grande. Havia zonas que não tinham nada, eram um deserto, nunca lá tinha passado um presidente de câmara.
Quais foram as maiores dificuldades que encontrou?
As dificuldades eram imensas e de todo o género! Água, electricidade, as vias de acesso… O concelho de Odemira tem o tamanho do distrito de Viana do Castelo e uma dimensão duas vezes superior à ilha da Madeira. E havia zonas no interior, na serra de Sabóia, sem um telefone, sem uma estrada…
Não tinhas mãos a medir para tantos problemas.
Era infernal! Para onde quer que nos voltássemos tudo estava por fazer. Era infernal, angustiante, uma pressão enorme que tínhamos. Havia concelhos, como a Vidigueira, que era pequeno, que já estava planear fazer uma piscina quando nós ainda não tínhamos água em 90% da população.
Que prioridades definiu à época?
Fundamentalmente as vias de acesso. Porque um médico sabe o que custa a um doente deslocar-se ao Centro de Saúde. E muitas das vezes as pessoas julgavam que não tinham sequer direito a isso. Era quase kafkiano!
Como olha hoje para o concelho?
Está completamente diferente! Desejava que houvesse alguém que contasse a história do concelho de Odemira e houve uma altura em que pensámos no José Saramago. Para ficar na memória, pois as novas gerações não sabem o que era isto antes. Beja nunca olhou bem para nós, ficamos muito afastados e quem está perto de Beja tem mais atenção. Odemira foi sempre muito esquecido. Houve um governador civil apenas, Manuel Masseno, por quem tenho muita estima, que tinha uma atenção particular por Odemira. Estou-lhe muito grato por todas as atenções que teve pelo povo de Odemira.
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