quarta-feira, 15/10/2025

20 anos Lusomorango

Loïc de Oliveira
A Lusomorango comemora 20 anos de atividade. Duas décadas que permitiram consolidar a maior Organização de Produtores, em volume de negócios, do setor das frutas e legumes do país. Duas décadas que ajudaram a transformar o Sudoeste Alentejano num polo agrícola de excelência e num exemplo de como a agricultura pode gerar desenvolvimento, emprego e coesão territorial.
O que começou como um projeto de produtores com ambição local tornou-se uma organização de referência nacional e europeia, símbolo da capacidade de inovar e de fazer bem em Portugal – e muito particularmente à região de Odemira.
A Lusomorango produziu, no ano passado, cerca de 16 mil toneladas de pequenos frutos, entre framboesas, amoras e mirtilos. Aproximadamente 94% seguiram para exportação. Porque é neste território que se produzem os melhores pequenos frutos do mundo, procurados pelos consumidores internacionais mais exigentes.
Segundo o estudo da EY Parthenon “O Impacto económico dos pequenos frutos e da agricultura no Perímetro de Rega do Mira”, com o qual medimos o contributo efetivo do setor para a região e para a economia nacional, o setor dos pequenos frutos destaca-se pela sua resiliência: em 2023, o valor acrescentado bruto (VAB) dos pequenos frutos atingiu 916 milhões de euros, e os associados da Lusomorango contribuíram com 170,2 milhões de euros, cerca de 18,5% do total. Contudo, não fosse a escassez de água no Sudoeste Alentejano, o contributo do setor poderia ser o triplo do valor: contas feitas, se ultrapassados os constrangimentos ao fornecimento de água no Perímetro de Rega do Mira, a região teria gerado um impacto de 742 milhões de euros em VAB e mais de 190 milhões de euros em receitas fiscais.
Estes números falam por si: o setor dos pequenos frutos é hoje um motor económico que exporta qualidade, emprega milhares de pessoas e sustenta comunidades que, sem esta atividade, dificilmente resistiriam à desertificação. Mas também revelam a vulnerabilidade de um modelo que depende de recursos finitos e de uma gestão pública eficaz: sem água não há agricultura, e sem agricultura não há território vivo.
Se no passado lançámos as sementes à terra, no presente cuidamos do muito que já floresceu. Mas a Lusomorango (e Odemira) só terá futuro se houver água.
O desafio da água é estrutural. A escassez hídrica em Portugal não é apenas consequência das alterações climáticas – é, sobretudo, um problema de gestão, planeamento e decisão política. A falta de uma estratégia integrada, a morosidade na execução de investimentos a extrema burocracia e a ausência de coordenação entre entidades públicas tornam o sistema ineficiente e frágil. No caso do Perímetro de Rega do Mira, os produtores enfrentam limitações crescentes que comprometem a competitividade e colocam em causa a continuidade de produções sustentáveis.
A Lusomorango sempre acreditou que a cooperação é a base das soluções duradouras. Por isso, ao longo destes 20 anos, sempre nos batemos, junto dos decisores políticos, por uma solução sólida que permitisse não só modernizar, como infraestruturar o Perímetro de Rega do Mira, para que este atinja a sua capacidade produtiva - fazendo crescer a região e o seu potencial enquanto polo de produção dos melhores pequenos frutos do mundo. Foi, por isso, com satisfação, que recebemos o anúncio da estratégia nacional “Água que Une”, que prevê para a região um investimento de mais de 200 milhões de euros, de forma a garantir uma gestão eficiente, justa e sustentável da água para quem acredita, investe e trabalha no futuro desta região.
Mas mais de um ano depois… faltam respostas concretas. E a inação custa caro: trava o investimento, desincentiva a inovação e fragiliza a confiança entre os agentes do território.
Ao longo das últimas duas décadas, demos o exemplo: os produtores na Lusomorango investiram – e continuam a investir – na implementação de sistemas e tecnologias de rega eficiente e reutilização de águas residuais, promovendo a inovação com foco na sustentabilidade. Não temos dúvidas em referir que estamos a implementar em Odemira o que de mais inovador existe, em termos de técnicas de gestão de água para fins de agrícolas. Contudo, para podermos fazer mais ainda com menos recursos, é preciso que o Estado dê um passo firme na criação de condições estruturais para otimizar a captação, o armazenamento e a distribuição hídrica - nesta região e no país.
É preciso pensar na água como um bem estratégico nacional, com políticas coerentes e previsíveis. Sob pena de, sem água que nos chegue, deixarmos de produzir alimentos que alimentam o mundo.
A Lusomorango nasceu há precisamente 20 anos de uma convicção simples: a força do coletivo é maior do que a soma das vontades individuais. É essa mesma convicção que deve guiar as decisões estratégicas para o país: se queremos continuar a alimentar Portugal com qualidade, a preservar o território e a garantir oportunidades às próximas gerações, temos de unir esforços.
Os próximos 20 anos dependerão menos da meteorologia e mais da coragem política e da cooperação entre todos. Na Lusomorango e em Odemira temos as sementes para alimentar o futuro: só precisamos de continuar a regá-las!
O que começou como um projeto de produtores com ambição local tornou-se uma organização de referência nacional e europeia, símbolo da capacidade de inovar e de fazer bem em Portugal – e muito particularmente à região de Odemira.
A Lusomorango produziu, no ano passado, cerca de 16 mil toneladas de pequenos frutos, entre framboesas, amoras e mirtilos. Aproximadamente 94% seguiram para exportação. Porque é neste território que se produzem os melhores pequenos frutos do mundo, procurados pelos consumidores internacionais mais exigentes.
Segundo o estudo da EY Parthenon “O Impacto económico dos pequenos frutos e da agricultura no Perímetro de Rega do Mira”, com o qual medimos o contributo efetivo do setor para a região e para a economia nacional, o setor dos pequenos frutos destaca-se pela sua resiliência: em 2023, o valor acrescentado bruto (VAB) dos pequenos frutos atingiu 916 milhões de euros, e os associados da Lusomorango contribuíram com 170,2 milhões de euros, cerca de 18,5% do total. Contudo, não fosse a escassez de água no Sudoeste Alentejano, o contributo do setor poderia ser o triplo do valor: contas feitas, se ultrapassados os constrangimentos ao fornecimento de água no Perímetro de Rega do Mira, a região teria gerado um impacto de 742 milhões de euros em VAB e mais de 190 milhões de euros em receitas fiscais.
Estes números falam por si: o setor dos pequenos frutos é hoje um motor económico que exporta qualidade, emprega milhares de pessoas e sustenta comunidades que, sem esta atividade, dificilmente resistiriam à desertificação. Mas também revelam a vulnerabilidade de um modelo que depende de recursos finitos e de uma gestão pública eficaz: sem água não há agricultura, e sem agricultura não há território vivo.
Se no passado lançámos as sementes à terra, no presente cuidamos do muito que já floresceu. Mas a Lusomorango (e Odemira) só terá futuro se houver água.
O desafio da água é estrutural. A escassez hídrica em Portugal não é apenas consequência das alterações climáticas – é, sobretudo, um problema de gestão, planeamento e decisão política. A falta de uma estratégia integrada, a morosidade na execução de investimentos a extrema burocracia e a ausência de coordenação entre entidades públicas tornam o sistema ineficiente e frágil. No caso do Perímetro de Rega do Mira, os produtores enfrentam limitações crescentes que comprometem a competitividade e colocam em causa a continuidade de produções sustentáveis.
A Lusomorango sempre acreditou que a cooperação é a base das soluções duradouras. Por isso, ao longo destes 20 anos, sempre nos batemos, junto dos decisores políticos, por uma solução sólida que permitisse não só modernizar, como infraestruturar o Perímetro de Rega do Mira, para que este atinja a sua capacidade produtiva - fazendo crescer a região e o seu potencial enquanto polo de produção dos melhores pequenos frutos do mundo. Foi, por isso, com satisfação, que recebemos o anúncio da estratégia nacional “Água que Une”, que prevê para a região um investimento de mais de 200 milhões de euros, de forma a garantir uma gestão eficiente, justa e sustentável da água para quem acredita, investe e trabalha no futuro desta região.
Mas mais de um ano depois… faltam respostas concretas. E a inação custa caro: trava o investimento, desincentiva a inovação e fragiliza a confiança entre os agentes do território.
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