07h00 - quarta-feira, 19/04/2017
António M. Quaresma
António M. Quaresma
lembra a fábrica Miranda
É a nova obra escrita do historiador António Martins Quaresma: Moagem Industrial em Odemira: A Fábrica Miranda. O livro foi apresentado esta terça-feira, 18, e o autor aceitou folheá-lo com o jornal “SW”.
Como surgiu a ideia de fazer este livro?
O sector da Cultura da Câmara Municipal de Odemira há muito que desenvolve um projecto sobre a moagem tradicional no concelho. Nesse âmbito, fui contactado pelo Município para realizar um trabalho de história sobre a fábrica de moagem da firma Miranda, Lda., cujo emblemático edifício ainda existe e é hoje propriedade municipal.
O que era a Fábrica Miranda?
A fábrica foi criada em Odemira, em 1898, pela mão de um industrial lisboeta, de nome Manuel António de Miranda, que aqui parece ter estado nos trabalhos da construção da ponte sobre o rio Mira (1891). Ele aproveitou o facto de a ponte possibilitar a ligação entre as duas margens e instalou a fábrica na margem esquerda, onde havia espaço para o efeito. Embora destinada à moagem, o proprietário previu, desde o início, a realização do comércio de cereais e farinhas, bem como descasque de arroz, actividade que viria a ter grande importância na sua laboração. A firma ficou sempre nas mãos da família Miranda, cujos membros tinham maioria na sociedade. Após a morte de Manuel António de Miranda, o seu filho César Carvalho de Miranda tomou nas mãos a gerência, que manteve também até à sua morte. O último membro da família a gerir a fábrica foi Júlio Miranda, até praticamente à sua paragem já na década de 1970, após um longo período de crise. O número de trabalhadores alterou-se ao longo da vida da fábrica e variava sazonalmente. Por volta da década de 1960 teria cerca de 20 trabalhadores “efectivos”, número que aumentava substancialmente em épocas como a das ceifas e debulhas, trabalhos a que a firma também se dedicava.
Quais as principais fontes para a sua pesquisa?
Utilizei fontes de arquivo, anuários e estatísticas, imprensa e entrevistas a antigos trabalhadores e familiares de sócios da firma, além de dossiers de levantamentos e inventários, antes realizados sobre a fábrica. Entre os arquivos frequentados, contam-se o Municipal de Odemira, o da Misericórdia de Odemira, documentos da própria fábrica, o Distrital de Beja, o Distrital de Setúbal e o Arquivo Nacional da Torre do Tombo (documentação da União Nacional).
Ficou surpreendido com o que acabou por descobrir durante a pesquisa para a obra? Há alguns factos que destaque?
Quando se investiga qualquer assunto é sempre um mundo novo que se abre diante dos olhos. É essa uma das principais aliciantes da investigação histórica. A fábrica ajudou-me a compreender melhor a sociedade odemirense de finais do século XIX e dos primeiros três quartéis do XX. Além disso, ela ilustra bem o percurso económico e político do Portugal agrícola e industrial, desde o final da monarquia até ao 25 de Abril.
Que importância tinha a Fábrica Miranda em Odemira?
Em Odemira o último terço do século XIX abriu com a instalação da indústria corticeira, que teve particular pujança até às primeiras décadas do século XX. A indústria moageira, que chegou a Odemira só no final do século XIX, através da Fábrica Miranda, Lda., destacou-se logo pelo recurso à tecnologia moderna (inicialmente a máquina a vapor), ao contrário do que acontecia com a corticeira; era então uma indústria “de ponta”. De facto, com a Miranda, Lda. criou-se localmente um certo ambiente industrial e desenvolveram-se competências técnicas relacionadas com as novas tecnologias.
A moagem industrial era uma actividade com peso na economia de Odemira?
A moagem industrial prosperou ao longo da primeira metade do século XX, surgindo, com dinâmica, em freguesias como São Teotónio, Relíquias, São Luís e Sabóia, num contexto de generalizada difusão. Muito ligada à economia cerealífera da época, fazia parte da “fileira” do pão. A decadência da economia rural cerealífera determinou a extinção da moagem industrial, bem como da tradicional, em Odemira e em toda a região.
Como surgiu a ideia de fazer este livro?
O sector da Cultura da Câmara Municipal de Odemira há muito que desenvolve um projecto sobre a moagem tradicional no concelho. Nesse âmbito, fui contactado pelo Município para realizar um trabalho de história sobre a fábrica de moagem da firma Miranda, Lda., cujo emblemático edifício ainda existe e é hoje propriedade municipal.
O que era a Fábrica Miranda?
A fábrica foi criada em Odemira, em 1898, pela mão de um industrial lisboeta, de nome Manuel António de Miranda, que aqui parece ter estado nos trabalhos da construção da ponte sobre o rio Mira (1891). Ele aproveitou o facto de a ponte possibilitar a ligação entre as duas margens e instalou a fábrica na margem esquerda, onde havia espaço para o efeito. Embora destinada à moagem, o proprietário previu, desde o início, a realização do comércio de cereais e farinhas, bem como descasque de arroz, actividade que viria a ter grande importância na sua laboração. A firma ficou sempre nas mãos da família Miranda, cujos membros tinham maioria na sociedade. Após a morte de Manuel António de Miranda, o seu filho César Carvalho de Miranda tomou nas mãos a gerência, que manteve também até à sua morte. O último membro da família a gerir a fábrica foi Júlio Miranda, até praticamente à sua paragem já na década de 1970, após um longo período de crise. O número de trabalhadores alterou-se ao longo da vida da fábrica e variava sazonalmente. Por volta da década de 1960 teria cerca de 20 trabalhadores “efectivos”, número que aumentava substancialmente em épocas como a das ceifas e debulhas, trabalhos a que a firma também se dedicava.
Quais as principais fontes para a sua pesquisa?
Utilizei fontes de arquivo, anuários e estatísticas, imprensa e entrevistas a antigos trabalhadores e familiares de sócios da firma, além de dossiers de levantamentos e inventários, antes realizados sobre a fábrica. Entre os arquivos frequentados, contam-se o Municipal de Odemira, o da Misericórdia de Odemira, documentos da própria fábrica, o Distrital de Beja, o Distrital de Setúbal e o Arquivo Nacional da Torre do Tombo (documentação da União Nacional).
Ficou surpreendido com o que acabou por descobrir durante a pesquisa para a obra? Há alguns factos que destaque?
Quando se investiga qualquer assunto é sempre um mundo novo que se abre diante dos olhos. É essa uma das principais aliciantes da investigação histórica. A fábrica ajudou-me a compreender melhor a sociedade odemirense de finais do século XIX e dos primeiros três quartéis do XX. Além disso, ela ilustra bem o percurso económico e político do Portugal agrícola e industrial, desde o final da monarquia até ao 25 de Abril.
Que importância tinha a Fábrica Miranda em Odemira?
Em Odemira o último terço do século XIX abriu com a instalação da indústria corticeira, que teve particular pujança até às primeiras décadas do século XX. A indústria moageira, que chegou a Odemira só no final do século XIX, através da Fábrica Miranda, Lda., destacou-se logo pelo recurso à tecnologia moderna (inicialmente a máquina a vapor), ao contrário do que acontecia com a corticeira; era então uma indústria “de ponta”. De facto, com a Miranda, Lda. criou-se localmente um certo ambiente industrial e desenvolveram-se competências técnicas relacionadas com as novas tecnologias.
A moagem industrial era uma actividade com peso na economia de Odemira?
A moagem industrial prosperou ao longo da primeira metade do século XX, surgindo, com dinâmica, em freguesias como São Teotónio, Relíquias, São Luís e Sabóia, num contexto de generalizada difusão. Muito ligada à economia cerealífera da época, fazia parte da “fileira” do pão. A decadência da economia rural cerealífera determinou a extinção da moagem industrial, bem como da tradicional, em Odemira e em toda a região.
COMENTÁRIOS
Não há comentários para este artigo
07h00 - quarta, 17/06/2026
Prémio do Conto
O XVI Prémio de Conto Manuel da Fonseca, promovida pela Câmara de Santiago do Cacém, recebeu um total de 59 manuscritos a concurso, mais 42 que na edição anterior.
Prémio do Conto
Manuel da Fonseca
com 59 candidaturas
O XVI Prémio de Conto Manuel da Fonseca, promovida pela Câmara de Santiago do Cacém, recebeu um total de 59 manuscritos a concurso, mais 42 que na edição anterior.
07h00 - terça, 16/06/2026
Heliporto do Hospital
O heliporto do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém, já registou 16 movimentos desde a sua entrada em funcionamento, em setembro de 2025.
Heliporto do Hospital
do Litoral Alentejano
já teve 16 movimentos
O heliporto do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém, já registou 16 movimentos desde a sua entrada em funcionamento, em setembro de 2025.
07h00 - terça, 16/06/2026
Câmara de Santiago do Cacém
A Câmara de Santiago do Cacém vai avançar com a construção de um edifício habitacional multifamiliar, com 24 fogos, em Cercal do Alentejo, num investimento avaliado em quase 3,7 milhões de euros.
Câmara de Santiago do Cacém
avança com construção de novas
habitações em Cercal do Alentejo
A Câmara de Santiago do Cacém vai avançar com a construção de um edifício habitacional multifamiliar, com 24 fogos, em Cercal do Alentejo, num investimento avaliado em quase 3,7 milhões de euros.
07h00 - terça, 16/06/2026
CIMPOR reativa Centro
A empresa CIMPOR reativou o seu Centro de Produção da Moagem em Sines, que não funcionava desde 2010, com o objetivo de “responder aos desafios da descarbonização no setor da construção”.
CIMPOR reativa Centro
de Produção da Moagem
na cidade de Sines
A empresa CIMPOR reativou o seu Centro de Produção da Moagem em Sines, que não funcionava desde 2010, com o objetivo de “responder aos desafios da descarbonização no setor da construção”.
07h00 - segunda, 15/06/2026
Águas do Alentejo vai
A empresa Águas Públicas do Alentejo (AgdA) vai investir quase 1,8 milhões de euros na construção de 15 unidades de produção de energia elétrica de fonte fotovoltaica, para autoconsumo, foi hoje anunciado.
Águas do Alentejo vai
investir 1,8ME para
produzir energia elétrica
A empresa Águas Públicas do Alentejo (AgdA) vai investir quase 1,8 milhões de euros na construção de 15 unidades de produção de energia elétrica de fonte fotovoltaica, para autoconsumo, foi hoje anunciado.
MAIS VISTAS

