06h00 - terça-feira, 24/07/2018

Associação Arbutus
traça novos desafios

Continuar a desenvolver a marca “Medronho SW” como pilar fundamental para a divulgação e promoção do medronho do concelho de Odemira é uma das metas traçadas pelo novo presidente da Arbutus-Associação para a Produção de Medronho. Afonso Pereira, de 35 anos, foi eleito no passado dia 4 de Junho, sucedendo no cargo a António Ramos, e a sua equipa directiva quer trabalhar para a afirmação do sector.
Nesse sentido, além de “continuar a desenvolver a marca ‘Medronho SW’ como um dos pilares fundamentais para a divulgação e promoção do medronho do concelho de Odemira e de todos os produtores de concelhos limítrofes que se queiram associar”, a associação vai também “consolidar uma estratégia de fidelização” dos seus associados, “desenvolvendo uma comunicação eficiente e relevante para todas as partes e, ao mesmo tempo continuar a fazer crescer o número de associados”.
Afonso Pereira revela que a Arbutus pretende igualmente “implementar com sucesso” o projecto “Inov@s Fileiras”. “Este projecto passa, essencialmente, pela criação de uma plataforma de comunicação sólida entre os diferentes produtores de medronho a nível nacional e outras partes interessadas, como sejam universidades, centros de investigação, centros de transformação e outros. Ao mesmo tempo o projecto está bastante focalizado na disseminação e partilha de informação sobre metodologias inovadoras de produção e transformação do medronho e do medronheiro”, explica.
Este responsável, radicado em São Miguel (São Teotónio) e também ele produtor de medronho, reconhece que a actividade de produção da aguardente de medronho “tem vindo a crescer nos últimos anos”, ainda que longe dos níveis verificados “há 40 ou 50 anos”. “Os elevados níveis de impostos que se pagam actualmente para a produção de álcool têm e tiveram um efeito real sobre esta questão. Mas não só. A desertificação dos meios rurais também tem vindo a contribuir para isso. Talvez agora com uma nova dinâmica no sector agrícola se verifique de facto um crescimento sustentado para a fileira do medronho”, afirma.
Na opinião de Afonso Pereira, o crescimento do sector do medronho “irá passar necessariamente pela diversificação das utilizações do fruto e do próprio medronheiro”. “A aguardente de medronho continuará a ser sempre um destino muito apetecido para o fruto, até porque a qualidade da aguardente de medronho é de facto espectacular”, observa. “No entanto, na minha opinião, o verdadeiro potencial do fruto está no consumo em fresco, desidratado ou outro. Hoje está comprovado que o medronho é um dos 'super-frutos', extremamente rico em vitaminas e outros anti-oxidantes. Se soubermos aproveitar esta oportunidade, a potencialidade do fruto é de facto enorme”, acrescenta.
A Arbutus – Associação para a Produção de Medronho nasceu em 2015 e a evolução tem sido, na opinião do seu presidente, “muito positiva”. “Digo isto porque os primeiros são sempre os anos mais importantes de qualquer projecto ou associação. São anos de afirmação. E portanto, é durante esta fase que se percebe verdadeiramente se um projecto fica pelo caminho ou se ele tem condições para seguir em frente e crescer.  No caso da Arbutus, esta experiência inicial permitiu-nos verificar na prática todo o interesse e potencial que esta fileira apresenta”, argumenta Afonso Pereira.
De acordo com o presidente da associação, ao longo destes três anos a Arbutus somou várias “vitórias”, desde o estabelecimento de inúmeras parcerias institucionais relevantes à aprovação da candidatura a fundos comunitários para o projecto “Inov@s Fileiras”.
Afonso Pereira destaca ainda o facto de, nestes três anos, o número de produtores de aguardente de medronho no concelho estar a crescer. “Actualmente já são mais de 10 o número de produtores de aguardente com marca própria e a tendência é para esse número continuar a crescer. Para isto muito têm contribuído as diversas iniciativas municipais de incentivo à legalização de destilarias. Este caminho que tem vindo a ser traçado pelo Município de Odemira é fundamental para o crescimento da actividade e deve continuar a ser seguido”, conclui.

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