07h00 - quinta-feira, 27/06/2019

Presidente da AHSA analisa
futuro do sector agrícola

O presidente da Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA) reconhece que o concelho de Odemira tem condições únicas para ser a melhor região do mundo “para a prática de uma agricultura moderna e de elevadíssimo valor acrescentado”, mas advoga que este potencial tem de ser rentabilizado com “responsabilidade”.
“Estamos perante uma oportunidade sem paralelo, sob o ponto de vista de condições naturais, para actividades que contribuem fortemente para o desenvolvimento da região, como a agricultura e o turismo. Aproveitar esta oportunidade com responsabilidade é o desafio”, afiança Nuno Pereira em declarações ao “SW”.
De acordo com este responsável, “no sector agrícola – e falando obviamente em nome dos associados da AHSA – a conjugação destas condições com o saber-estar e saber-fazer que foram importados, em alguns casos, e adquiridos noutros tantos, é hoje amplamente reconhecida nos países e mercados de destino dos nossos frutos, hortícolas e flores, produzidos regionalmente”.
“Importa agora, ganhar o mesmo capital de reconhecimento e de confiança ao nível local e regional, desempenhando a actividade agrícola diligentemente e numa perspectiva de melhoria contínua, trabalho urgente a ser desenvolvido competentemente e no qual a AHSA tem um papel fundamental a desempenhar”, nota.
Na opinião do presidente da AHSA, o concelho de Odemira apresenta uma “perfeita conjugação” de factores climáticos com terra de qualidade e disponibilidade de água, que ajudou à criação de um sector “que soube ser merecedor da confiança de mercados de consumo exigentes, como é o caso dos mercados do Norte da Europa”.
“As nossas empresas – e agora falo sobretudo das empresas do universo AHSA – têm desempenhado um papel fundamental na promoção da região e do país no mundo, através da produção de produtos de qualidade e frescura únicas, da prática de uma agricultura moderna, ciente das suas obrigações e respeitadora das condições de trabalho dos seus colaboradores”, acrescenta Nuno Pereira.
Para este responsável, a agricultura praticada actualmente no concelho de Odemira é “extremamente dinâmica, crescentemente consciente das suas responsabilidades, de enormíssimas valências técnicas, com um carácter fortemente exportador e liderada por gestores de primeira linha”.
Ainda assim, o presidente da AHSA reconhece que “muito há ainda por fazer”, nomeadamente na área da comunicação. “É vital saber esclarecer, com informação útil, séria e factual, as comunidades onde estamos inseridos e trabalhar conjuntamente com os nossos associados, parceiros e actores locais com autoridade de gestão no território, no sentido de credibilizar uma actividade essencial à perenidade da humanidade”, defende.
A par da comunicação, Nuno Pereira admite existirem outros desafios que o sector horto-frutícola do concelho de Odemira tem de enfrentar e ultrapassar, a começar pela escassez de mão-de-obra nacional, problema também sentido noutras “realidades semelhantes espalhadas por esse mundo fora”.
Por isso mesmo, o presidente da AHSA defende a adopção, em Portugal, da solução encontrada no Reino Unido, onde “a força de trabalho agrícola é quase exclusivamente proveniente do Leste da Europa” e fica alojada “dentro das próprias unidades de produção agrícola, em estruturas temporárias construídas para o efeito”. “É um modelo que funciona e que permite retirar os trabalhadores dos perímetros urbanos, minimizando, desta forma, a pressão que poderiam, em potencial, criar no centro das vilas ou cidades. Acredito que este modelo, já proposto, deve ser assumido com uma solução em Odemira”, reitera.
Ao mesmo tempo, o presidente da AHSA entende ser necessário resolver a questão da sobreposição de instrumentos de ordenamento do território, “que convergem em conflitos de uso”. “Sendo nossa convicção a forte compatibilidade de objectivos – optimização do potencial agrícola e preservação da natureza –, não nos podemos iludir relativamente à dificuldade que temos vivido nesta relação de convivência. […] Acreditamos, por isso, que estamos perante um momento decisivo de conciliação, em que impera equilibrar valores e potencialidades, em prol de um desenvolvimento sustentável”, conclui Nuno Pereira.

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