07h00 - quinta-feira, 09/07/2026

GALP tem novo projeto eólico
para Odemira e Ourique

A GALP pretende avançar com um novo projeto eólico nos concelhos de Odemira e Ourique, que prevê a instalação de 22 aerogeradores, depois de ter deixado “cair” o contestado projeto do Parque Eólico das Cachenas.
O desenho atual do projeto concentra a maior fatia do investimento no concelho de Odemira, onde se prevê a instalação de 18 dos 22 aerogeradores planeados, injetando uma potência eólica adicional de 158,4 megawatts (MW).
Segundo as estimativas da GALP, a produção anual do complexo poderá rondar os 378 gigawatts/hora (GWh), volume que a petrolífera assume ser suficiente para abastecer mais de 114 mil famílias e evitar a emissão de cerca de 23 mil toneladas de CO2 por ano.
Embora a localização exata das torres e das linhas de alta tensão ainda possa sofrer alterações, a forte concentração prevista na zona serrana das freguesias de São Martinho das Amoreiras, Luzianes-Gare e Santa Clara-a-Velha, todas no concelho de Odemira, está a levantar sérias preocupações ambientais, por coincidir com áreas de risco de erosão, cabeceiras de linhas de água e solos de máxima infiltração.
Para mitigar a contestação e compensar o território, a GALP apoia-se no direito ao Fundo Ambiental, que estipula o pagamento de13.500 euros por MVA instalado aos municípios anfitriões.
Na última Assembleia Municipal, o presidente da Câmara de Odemira, Hélder Guerreiro, procurou tranquilizar o público ao esclarecer que o processo se encontra numa fase ainda muito embrionária e que não existe qualquer acordo firmado com a GALP.
O autarca sublinhou que, ao contrário do projeto das Cachenas – chumbado por incidir sobre a Rede Natura 2000 –, esta nova proposta prevê a hibridização direta à central de Ourique e garantiu ter exigido à promotora a realização de discussões públicas obrigatórias em todas as freguesias afetadas antes de qualquer passo definitivo.
Hélder Guerreiro relativizou ainda os números iniciais, apontando que a perspetiva transmitida pela empresa aponta agora para um teto máximo de 15 aerogeradores.
Apesar de o licenciamento caber à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), competindo ao município apenas a verificação de condicionantes territoriais como a Reserva Ecológica Nacional (REN) ou a Reserva Agrícola Nacional (RAN), o autarca assegurou que a Câmara Municipal “estará ao lado da população” caso exista uma rejeição inequívoca e fundamentada contra a instalação de aerogeradores em locais concretos.

Texto: Joaquim Bernardo

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