07h00 - sexta-feira, 20/11/2020

Projecto em Odemira vai partilhar
culturas através da(s) arte(s)

A dança, a música e o vídeo como “linguagens centrais” da partilha e fusão de culturas, promovendo assim a integração e a multiculturalidade: é este o mote do projecto “Bowing”, que nos próximos dois anos vai ser dinamizado no concelho de Odemira numa parceria entre a cooperativa cultural Lavrar o Mar e a Câmara Municipal local. A iniciativa conta com os apoios financeiros da autarquia, no âmbito do Fundo de Apoio para a Migração e a Integração, e da Fundação Calouste Gulbenkian, através do programa “PARTIS-Arts for Change”.
Trata-se de um projecto de arte participativa em meio rural que se destina a emigrantes que se encontram no concelho, mas também a jovens estudantes, e que tem como grande objectivo “a valorização da cultura portuguesa, bem como uma maior compreensão e valorização das diferentes culturas representadas no concelho”, explica ao “SW” a vereadora responsável pela Educação e Acção Social na autarquia odemirense.
De acordo com Deolinda Seno Luís, que é a responsável pela área social do projecto, os objectivos do projecto “são diversos”, passando igualmente pela valorização da língua portuguesa entre as pessoas envolvidas”, pelo “cruzar das diversas culturas presentes no concelho promovendo a sua aceitação e valorização”, ou pelo “despertar do entusiasmo e envolvência das crianças e jovens pelas actividades artísticas”.
Tudo isto será feito em prol da integração das comunidades migrantes e da multiculturalidade. “É precisamente esse o objectivo deste projeto: fomentar, através das artes e da sua prática, a aproximação tão necessária entre dois universos de populações que, apesar de coabitarem neste momento no território, não comunicam ainda e não se compreendem mutuamente, por haver um fosso cultural que precisa de ser minorado e trabalhado”, advoga Madalena Victorino, “mentora” e responsável artística do “Bowing”.
Para a coreógrafa, este projecto é igualmente“prova dessa vontade de melhorar e aprofundar formas de construir os processos de integração de tantas pessoas que vêm de tão longe com culturas tão distantes da nossa”.
“Iremos trabalhar com a infância e a juventude, mas também com os adultos trabalhadores migrantes, para que se possa criar um projecto muito completo no que diz respeito à sua abrangência humana”, diz Madalena Victorino, acrescentando de imediato: “Pela parte da população portuguesa, queremos com este projecto suavizar ideias que possam ser feitas antes de haver um conhecimento mais próximo e real sobre estas populações que chegam ao nosso país à procura de uma vida melhor e com dignidade”.

Aproximação e diálogo
Todos o trabalho previsto no âmbito do “Bowing” ambiciona “criar processos de participação em actividades artísticas, de forma regular e duradoura, que permitam o contacto, a aproximação e o diálogo entre os diversos participantes”, desenvolvendo o conhecimento da língua portuguesa “enquanto elemento-chave para uma aproximação e uma real integração” e fortalecendo “a auto-identidade pessoal e cultural dos seus participantes”, vinca a vereadora da Câmara de Odemira.
“Valorizar e descobrir elementos intrínsecos às culturas estrangeiras com o objectivo de criar um terreno de partilha e de fusão de saberes, sensibilidades e aspectos identitários com a cultura portuguesa e apoiar os professores que se encontram em situações de grande pressão, no que diz respeito ao trabalho árduo de integração de alunos oriundos de realidades muito díspares, são igualmente metas do ‘Bowing’”, acrescenta Deolinda Seno Luís.
A autarca odemirense espera que com esta intervenção cultural e artística seja possível “contribuir para a melhoria das capacidades de compreensão, fala e escrita da língua portuguesa e para a valorização da cultura portuguesa, bem como uma maior compreensão e valorização das diferentes culturas representadas no concelho”.
Ao mesmo tempo, conclui, com a promoção do “Bowing” ambiciona-se “favorecer a educação para as artes, para os valores da cidadania e da comunicação intercultural e estimular a interacção e o diálogo entre portugueses e migrantes, procurando atingir uma valorização mútua das suas identidades, num sentido mais empático e partilhado”.

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