quinta-feira, 13/06/2024

Do centro, da periferia e do planeamento

António Martins Quaresma
1. Um dos tópicos usuais dos territórios periféricos em relação aos centros é o sentimento ou, pelo menos, os lamentos expressos do abandono a que aqueles foram votados por estes. Por exemplo, ouve-se que o poder central não olha para o Alentejo e que menospreza a cidade de Beja. As próprias freguesias queixam-se das sedes de concelho, em mais um exemplo da dicotomia “centro/periferia”. Na terra onde vivo, freguesia do Município de Odemira, aliás uma das mais progressivas, isso é também um clássico. Claro que os queixumes e acusações partem geralmente de um certo setor da população, muito associado ao comércio e aos serviços, e, por vezes, encerram motivação político-partidária. Assumem-se com um certo, mas claro, ar “populista”.
Neste momento, a essa velha lamúria, juntam-se novos temas: a presença de imigrantes provenientes de países orientais, a que alguns atribuem um sem-número de inconvenientes e até de crimes, numa erupção de hostilidade racial, mais extraordinária porque tudo se passa numa terra de emigrantes. Apesar das “distrações”, provenientes da esfera internacional, mormente a guerra na Ucrânia, vista sempre pela pauta dos media mainstream, por falta de pensamento crítico, é a imigração oriental – não a europeia – que “assusta” os locais (enfim, não todos, evidentemente).
A tão difundida e imprudente afirmação de que a imigração oriental viria “prejudicar” a afluência turística e, portanto, a afetar negativamente a economia local, foi completamente refutada nos últimos tempos, pela numerosa concorrência de turistas, inclusive na época baixa. Na verdade, esta asserção nada mais é do que a projeção dos fantasmas de quem assim “interpreta” os factos. Uma sociedade que atribui sistematicamente a outrem a causa dos seus próprios problemas e insuficiências nunca será capaz de se organizar e criar estratégias de desenvolvimento.
2. Apesar do panorama algo pessimista que ressuma nos parágrafos anteriores, vou referir algumas intenções municipais para melhorar a vida de residentes e visitantes, no caso concreto em Vila Nova de Milfontes, ilustrando preocupação com as necessidades das freguesias.
Vem a propósito lembrar que quando, há alguns anos, se fez o “jardim”, perto do campo de futebol, ele deu resposta a uma aspiração da população local. E tendo constituído, por si só, um melhoramento significativo, ele foi integrado num plano mais vasto de caráter urbanístico, com a criação de lugares de estacionamento e de uma nova artéria transversal a ligar os dois eixos de circulação laterais. A solução restringiu a dimensão útil da área verde, mas houve intenção de integração urbanística.
Agora, três grandes projetos públicos, a realizar pelo Município de Odemira, estão previstos para esta freguesia, a curto e a médio prazo, que envolvem a criação de equipamentos. Trata-se do Centro de Saúde, a edificar na Rua António Mantas, que vem substituir as instalações existentes na velha Casa do Povo; do novo parque desportivo, a construir no espaço do antigo Acampamento Caravela, próximo das Cercas; e a construção de um, digamos, “Centro Cultural”, utilizando, nomeadamente, o espaço do atual campo de futebol. Tudo com pensamento urbanístico subjacente. Para já, a aquisição do Castelo pelo Município, importante ato de devolução do principal edifício histórico ao usufruto público, é uma ideia que fica em espera, dada a decisão do proprietário de suspender a sua venda.
Relativamente, ao Centro Cultural, apetrechado com diversas valências – auditório multiusos, sala de exposições, biblioteca –, consiste num equipamento de grande valia para uma terra turística, em crescimento, que urge capacitar com oferta cultural diversificada. Evidentemente que não se tratando de oferta de entretenimento puro, só com investimento financeiro público será possível construir e manter a funcionar um equipamento desta natureza.
Em todo o caso, afigura-se também positivo que o Município, aliás como tem sido prática do seu atual presidente, pretenda escutar as pessoas que há largos anos vêm refletindo sobre estas questões e entenda entregar o plano e sua execução a técnicos qualificados. Centro e periferia podem perfeitamente articular-se para a realização de projetos com impacto benéfico no território.
Neste momento, a essa velha lamúria, juntam-se novos temas: a presença de imigrantes provenientes de países orientais, a que alguns atribuem um sem-número de inconvenientes e até de crimes, numa erupção de hostilidade racial, mais extraordinária porque tudo se passa numa terra de emigrantes. Apesar das “distrações”, provenientes da esfera internacional, mormente a guerra na Ucrânia, vista sempre pela pauta dos media mainstream, por falta de pensamento crítico, é a imigração oriental – não a europeia – que “assusta” os locais (enfim, não todos, evidentemente).
A tão difundida e imprudente afirmação de que a imigração oriental viria “prejudicar” a afluência turística e, portanto, a afetar negativamente a economia local, foi completamente refutada nos últimos tempos, pela numerosa concorrência de turistas, inclusive na época baixa. Na verdade, esta asserção nada mais é do que a projeção dos fantasmas de quem assim “interpreta” os factos. Uma sociedade que atribui sistematicamente a outrem a causa dos seus próprios problemas e insuficiências nunca será capaz de se organizar e criar estratégias de desenvolvimento.
2. Apesar do panorama algo pessimista que ressuma nos parágrafos anteriores, vou referir algumas intenções municipais para melhorar a vida de residentes e visitantes, no caso concreto em Vila Nova de Milfontes, ilustrando preocupação com as necessidades das freguesias.
Vem a propósito lembrar que quando, há alguns anos, se fez o “jardim”, perto do campo de futebol, ele deu resposta a uma aspiração da população local. E tendo constituído, por si só, um melhoramento significativo, ele foi integrado num plano mais vasto de caráter urbanístico, com a criação de lugares de estacionamento e de uma nova artéria transversal a ligar os dois eixos de circulação laterais. A solução restringiu a dimensão útil da área verde, mas houve intenção de integração urbanística.
Agora, três grandes projetos públicos, a realizar pelo Município de Odemira, estão previstos para esta freguesia, a curto e a médio prazo, que envolvem a criação de equipamentos. Trata-se do Centro de Saúde, a edificar na Rua António Mantas, que vem substituir as instalações existentes na velha Casa do Povo; do novo parque desportivo, a construir no espaço do antigo Acampamento Caravela, próximo das Cercas; e a construção de um, digamos, “Centro Cultural”, utilizando, nomeadamente, o espaço do atual campo de futebol. Tudo com pensamento urbanístico subjacente. Para já, a aquisição do Castelo pelo Município, importante ato de devolução do principal edifício histórico ao usufruto público, é uma ideia que fica em espera, dada a decisão do proprietário de suspender a sua venda.
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