quinta-feira, 09/07/2026

Medicamentos e calor: cuidados a ter


Humberto Martins
Os dias mais recentes fizeram chegar o Verão em força, desde logo com temperaturas altas e recordes nalguns países da Europa. Também em Portugal estamos a assistir a temperaturas elevadas que, em termos de saúde, merecem cuidados especiais.
Ondas de calor têm impactos alargados em saúde, desde logo pelos riscos de desidratação e impacto em doenças crónicas.
Com o calor o corpo humano responde com duas ações principais para regular e diminuir a temperatura: vasodilatação, levando mais sangue à pele para libertar calor, e sudação, que arrefece a superfície corporal pela evaporação de suor. O calor extremo coloca à prova esta capacidade de regulação da temperatura, podendo colocar o corpo em esforço pelo aumento da temperatura interna, com impacto nas patologias existentes e podendo agravá-las, como em doenças cardiovasculares, doenças neurológicas ou psiquiátricas, obesidade e incapacidades físicas.
O calor pode assim causar desde situações ligeiras, como irritação da pele, cãibras ou edema, colapso ou exaustão e, até, golpe de calor, potencialmente fatal.
Num país envelhecido e com elevada prevalência de doenças, as temperaturas elevadas são alerta de saúde pública e requerem atenção em relação aos mais frágeis.
Perante as temperaturas quentes, importa também considerar o impacto no uso de medicamentos. Por um lado, há medicamentos que interferem na própria capacidade de regulação da temperatura e, como tal, podem aumentar os problemas de saúde.
Neste contexto, importa ter em atenção que alguns medicamentos usados na hipertensão, na depressão, em alergias ou na diabetes podem dificultar a regulação da temperatura e, em dias muito quentes, contribuírem para aumentar a desidratação, reduzir excessivamente a tensão arterial ou limitar a capacidade de suar. Deste modo, os medicamentos podem ser um fator que dificulta a redução da temperatura corporal e, por isso, deve ser dada atenção aos potenciais efeitos. Contudo, tal não significa que devam ser suspensos ou deixados de tomar apenas porque está calor. O esclarecimento de dúvidas e a vigilância destes efeitos devem ser sempre realizados por profissionais de saúde e, em particular, os farmacêuticos conhecem estes efeitos e podem aconselhar adequadamente.
Por outro lado, os próprios medicamentos sofrem efeitos quando sujeitos a temperaturas elevadas e, por isso, podem perder efeitos ou gerarem efeitos indesejados.
De forma geral, todos os medicamentos são sensíveis ao calor e devem ser conservados ao abrigo da luz direta abaixo dos 25?°C. Há ainda medicamentos que exigem condições de frio específicas e que devem ser conservados de forma mais cuidadosa, geralmente entre 2 e 8ºC para manterem a sua estabilidade e eficácia (por exemplo insulinas e medicamentos biológicos). Assim, de forma ainda mais cuidada nos momentos de maior calor, os medicamentos têm de ser protegidos da exposição e, por exemplo, evitar serem deixados no carro, ao sol ou junto a uma janela nos dias mais quentes.
Evita-se assim que a temperatura acelere a degradação de medicamentos, perdendo o seu efeito ou, em casos mais extremos, que os medicamentos se decomponham em químicos nocivos. Assim, com os dias de calor, é importante redobrar a atenção em relação à conservação de medicamentos, nomeadamente no transporte diário ou em casa (não esquecendo a recomendação permanente de que no dia-a-dia a casa de banho não é nunca um local de armazenamento recomendável, dado o calor húmido do vapor de água).
De forma geral, por estes dias, o mais importante é manter-se hidratado. Beba sempre água, mesmo quando não acompanha um medicamento.

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