07h00 - sexta-feira, 27/03/2020
Presidente da AHSA diz que
Presidente da AHSA diz que
“agricultura não pode parar”
Em entrevista ao “SW”, o presidente da AHSA-Associação do Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e de Aljezur reconhece que pandemia da Covid-19 que afecta actualmente Portugal (e todo o mundo) está a ter forte impacto “no planeamento produtivo” das empresas associadas. Ainda assim, Nuno Pereira confia que continuará a haver “um grande mercado”, tanto nacional como internacional, para os produtos oriundos do concelho de Odemira.
Que tipo de medidas preventivas face à Covid-19 estão a adotar as empresas associadas na AHSA?
Seguindo todas as orientações das autoridades, as empresas associadas da AHSA estão a priorizar ao máximo a prevenção e a implementação e adaptação dos seus planos de contingência. Dou-lhe um exemplo: alguns dos nossos associados tinham processos de recrutamento em aberto que decidiram suspender por tempo indeterminado, de forma a não expôr as suas equipas (que já estão bastante informadas relativamente às medidas a adoptar) à presença de novos potenciais colegas, cujo histórico poderia não ser totalmente conhecido. Outras limitaram as contratações a trabalhadores que já estivessem no território há vários meses. Outras há ainda que fecharam as suas portas a visitantes ou pessoas fora da organização ainda antes de existirem casos confirmados em Portugal. Há várias medidas a serem adoptadas, todas elas envolvendo um importante esforço de comunicação interna, no sentido de promover informação fidedigna e gerar conhecimento, para que os colaboradores se sintam seguros e confiantes e sejam eles próprios agentes disseminadores de melhores práticas que garantam uma maior segurança de todos. Algumas das dimensões postas em prática incluem um maior distanciamento físico entre equipas, a implementação de diferentes horários para acesso a áreas comuns, nomeadamente cantinas e salas de reuniões, a distribuição de equipamento de protecção individual – máscara e luvas –, a distribuição e o apelo ao uso regular de produtos de higiene, a promoção de tele-trabalho para funções que assim o permitam e o agendamento de reuniões não presenciais, entre outras. Além das medidas aplicadas dentro das empresas, está também a ser feito um forte apelo à contenção social nos momentos pós-laborais, reforçando a importância destas práticas para segurança de todos.
Reconhece que estas empresas enfrentam riscos acrescidos, dada a existência de muitas pessoas a trabalhar em simultâneo no mesmo local ou em áreas confinadas?
O risco não é maior do que em empresas de outras sectores, até porque na agricultura se trabalha em áreas normalmente grandes e muito arejadas. Mas de facto, à semelhança, por exemplo, dos hospitais, farmácias, supermercados, agro-indústria, forças de segurança ou operadores de transportes, a agricultura não pode parar, mesmo em tempos de crise. O país e o mundo não podem cair numa situação de sub-abastecimento de produtos agrícolas frescos. Não é legítimo imaginar que conseguiremos subsistir enquanto espécie sem o acesso a alimentos. Isto faz com que as empresas agrícolas tenham aqui uma dupla responsabilidade: garantir, por um lado, que os seus colaboradores estão num local de trabalho com fortes medidas de segurança e de higienização e, por outro lado, que são mantidas todas as condições essenciais para que a cadeia de fornecimento de alimentos não seja interrompida.
Que impacto está a ter a pandemia da Covid-19 na atividade comercial das empresas associadas na AHSA?
Nesta primeira fase, a pandemia está a ter impacto no planeamento produtivo das nossas empresas associadas, uma vez que a prioridade máxima é evitar potenciais focos de contágio no local de trabalho. A nível comercial, há naturalmente limitações e constrangimentos, nomeadamente na área logística, que, de repente, viu-se a operar numa Europa que voltou a ter fronteiras terrestres. Assim, as empresas especializadas em distribuição, à semelhança de tantas outras empresas de diferentes sectores, estão a aprender diariamente a ajustar as suas práticas operacionais para ir ao encontro das diretrizes comunicadas pelos órgãos governativos. Dado o desígnio de manter as superfícies comerciais abastecidas de bens alimentares ao alcance de todos, o transporte de frescos não está comprometido, mas terá, naturalmente, de se ajustar à nova realidade.
Sendo um sector muito exportador, a atual situação pode colocar em causa a viabilidade de muitas destas empresas?
Sejamos realistas: ninguém saíra impune desta crise de dimensões bíblicas. A economia, as empresas e a sociedade sofrerão inevitavelmente processos de reformatação após este surto. Muitas, em muitos sectores, verão a sua viabilidade comprometida e fecharão. Todas as outras, diria, terão de se reinventar, sendo as do sector agrícola, enquanto produtor de alimentos, as que apresentarão maior resiliência. Se juntarmos a este facto, a excepcional qualidade e os benefícios nutritivos dos produtos comercializados pelas empresas desta região, não temos dúvida de que continuará a haver um grande mercado para estes produtos, seja a nível nacional, seja a nível internacional. Uma vez ultrapassados alguns constrangimentos actuais na cadeia logística, que está naturalmente limitada e fragilizada neste momento, acreditamos que vamos conseguir continuar a fazer chegar estes produtos de elevada qualidade aos seus clientes finais, que tanto precisam destes alimentos, em Portugal e no mundo.
O aumento das vendas para o mercado nacional é a alternativa possível às perdas que poderão ocorrer noutros países?
A venda para o mercado nacional é uma realidade no universo da AHSA e faz todo o sentido que continue a sê-lo. Enquanto associação de produtores de hortícolas e frutícolas, estamos muito atentos, por exemplo, a eventuais quebras de fornecimento que o mercado nacional possa estar a sentir e que possam comprometer a qualidade de vida das populações. Neste sentido, a nossa resposta ao apelo das autoridades, especificamente as que o estado de emergência decreta, não podia ser outra e é clara: tudo faremos para garantir que a cadeia de fornecimento de alimentos não pare. Trabalhamos em forte proximidade com a maior organização agrícola do país, a CAP, que tem dado todo o apoio aos seus associados, com informação e esclarecimentos, e que está também devidamente alinhada com o Governo no sentido de garantir o fornecimento de produtos alimentares, aos portugueses. Concluindo, continuaremos a contribuir para o equilíbrio da balança comercial nacional, exportando o que os mercados nos permitirem exportar, e continuaremos a fornecer o mercado nacional como até agora. Localmente, estamos também já a operacionalizar um sistema de apoio a instituições de cariz social do concelho de Odemira, que possam vir a ter dificuldade em obter alimentos da parte dos seus fornecedores habituais.
Que tipo de medidas preventivas face à Covid-19 estão a adotar as empresas associadas na AHSA?
Seguindo todas as orientações das autoridades, as empresas associadas da AHSA estão a priorizar ao máximo a prevenção e a implementação e adaptação dos seus planos de contingência. Dou-lhe um exemplo: alguns dos nossos associados tinham processos de recrutamento em aberto que decidiram suspender por tempo indeterminado, de forma a não expôr as suas equipas (que já estão bastante informadas relativamente às medidas a adoptar) à presença de novos potenciais colegas, cujo histórico poderia não ser totalmente conhecido. Outras limitaram as contratações a trabalhadores que já estivessem no território há vários meses. Outras há ainda que fecharam as suas portas a visitantes ou pessoas fora da organização ainda antes de existirem casos confirmados em Portugal. Há várias medidas a serem adoptadas, todas elas envolvendo um importante esforço de comunicação interna, no sentido de promover informação fidedigna e gerar conhecimento, para que os colaboradores se sintam seguros e confiantes e sejam eles próprios agentes disseminadores de melhores práticas que garantam uma maior segurança de todos. Algumas das dimensões postas em prática incluem um maior distanciamento físico entre equipas, a implementação de diferentes horários para acesso a áreas comuns, nomeadamente cantinas e salas de reuniões, a distribuição de equipamento de protecção individual – máscara e luvas –, a distribuição e o apelo ao uso regular de produtos de higiene, a promoção de tele-trabalho para funções que assim o permitam e o agendamento de reuniões não presenciais, entre outras. Além das medidas aplicadas dentro das empresas, está também a ser feito um forte apelo à contenção social nos momentos pós-laborais, reforçando a importância destas práticas para segurança de todos.
Reconhece que estas empresas enfrentam riscos acrescidos, dada a existência de muitas pessoas a trabalhar em simultâneo no mesmo local ou em áreas confinadas?
O risco não é maior do que em empresas de outras sectores, até porque na agricultura se trabalha em áreas normalmente grandes e muito arejadas. Mas de facto, à semelhança, por exemplo, dos hospitais, farmácias, supermercados, agro-indústria, forças de segurança ou operadores de transportes, a agricultura não pode parar, mesmo em tempos de crise. O país e o mundo não podem cair numa situação de sub-abastecimento de produtos agrícolas frescos. Não é legítimo imaginar que conseguiremos subsistir enquanto espécie sem o acesso a alimentos. Isto faz com que as empresas agrícolas tenham aqui uma dupla responsabilidade: garantir, por um lado, que os seus colaboradores estão num local de trabalho com fortes medidas de segurança e de higienização e, por outro lado, que são mantidas todas as condições essenciais para que a cadeia de fornecimento de alimentos não seja interrompida.
Que impacto está a ter a pandemia da Covid-19 na atividade comercial das empresas associadas na AHSA?
Nesta primeira fase, a pandemia está a ter impacto no planeamento produtivo das nossas empresas associadas, uma vez que a prioridade máxima é evitar potenciais focos de contágio no local de trabalho. A nível comercial, há naturalmente limitações e constrangimentos, nomeadamente na área logística, que, de repente, viu-se a operar numa Europa que voltou a ter fronteiras terrestres. Assim, as empresas especializadas em distribuição, à semelhança de tantas outras empresas de diferentes sectores, estão a aprender diariamente a ajustar as suas práticas operacionais para ir ao encontro das diretrizes comunicadas pelos órgãos governativos. Dado o desígnio de manter as superfícies comerciais abastecidas de bens alimentares ao alcance de todos, o transporte de frescos não está comprometido, mas terá, naturalmente, de se ajustar à nova realidade.
Sendo um sector muito exportador, a atual situação pode colocar em causa a viabilidade de muitas destas empresas?
Sejamos realistas: ninguém saíra impune desta crise de dimensões bíblicas. A economia, as empresas e a sociedade sofrerão inevitavelmente processos de reformatação após este surto. Muitas, em muitos sectores, verão a sua viabilidade comprometida e fecharão. Todas as outras, diria, terão de se reinventar, sendo as do sector agrícola, enquanto produtor de alimentos, as que apresentarão maior resiliência. Se juntarmos a este facto, a excepcional qualidade e os benefícios nutritivos dos produtos comercializados pelas empresas desta região, não temos dúvida de que continuará a haver um grande mercado para estes produtos, seja a nível nacional, seja a nível internacional. Uma vez ultrapassados alguns constrangimentos actuais na cadeia logística, que está naturalmente limitada e fragilizada neste momento, acreditamos que vamos conseguir continuar a fazer chegar estes produtos de elevada qualidade aos seus clientes finais, que tanto precisam destes alimentos, em Portugal e no mundo.
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