quinta-feira, 05/03/2026

Estado “atado”

Carlos Pinto
A sucessão de tempestades que assolou o país no final de janeiro e início de fevereiro (designadas Kristin, Leonardo e Marta) deixou para trás um rasto de devastação nunca visto em Portugal. Morreram 18 pessoas, houve centenas de feridos e desalojados, registou-se a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias.
Leiria e toda a zona centro do país estiveram no “olho do furacão”, mas também no Alentejo Litoral se registou uma enorme onda de destruição, causando prejuízos na ordem dos milhões de euros e que ainda estão por contabilizar na totalidade.
Em Alcácer do Sal, os prejuízos ascendem a cerca de 30 milhões de euros, segundo as contas apresentadas esta semana aos deputados pela presidente da Câmara Municipal, Clarisse Campos. E em Odemira o impacto do mau tempo é ainda maior, com o autarca Hélder Guerreiro a apontar para os 80 milhões de euros de prejuízos.
É dinheiro, muito muito dinheiro. E não podem ser os municípios, as empresas ou as famílias a arcar com esta gigantesca despesa. É nestes momentos que o Estado, que todos nós formamos e para o qual todos contribuímos, tem de assumir as suas responsabilidades e agir. De forma concreta e célere, sem burocracias e de modo efetivo.
Mas aquilo a que vamos assistindo é um Governo a anunciar planos de recuperação e ministros a desdobrarem-se em declarações a garantir apoios financeiros para famílias e empresas. Mas depois, a realidade apresenta-nos um Estado “atado”, com processos emperrados nos habituais trâmites burocráticos e responsabilidades “endossadas” para as autarquias, sem que estas disponham dos necessários meios humanos e materiais para o efeito.
A situação é grave, muito muito grave. Os efeitos do mau tempo, associados às consequências da instabilidade geopolítica que chega de fora, podem ser o rastilho para um período muito complicado para a nossa economia. Exige-se, portanto, que se passe imediatamente das palavras à ação. Sem rodeios ou discursos floreados, mas com muita competência e eficácia.
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É dinheiro, muito muito dinheiro. E não podem ser os municípios, as empresas ou as famílias a arcar com esta gigantesca despesa. É nestes momentos que o Estado, que todos nós formamos e para o qual todos contribuímos, tem de assumir as suas responsabilidades e agir. De forma concreta e célere, sem burocracias e de modo efetivo.
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