quinta-feira, 16/04/2026

Celebrar Abril, hoje e sempre!

Carlos Pinto
Celebrar o 25 de Abril é, hoje, mais do que um ritual de memória ou um mero momento de festa e foguetório: é um ato consciente de defesa do presente e de compromisso com o futuro.
Num tempo em que os populismos ganham terreno em Portugal e no mundo, alimentando-se do descontentamento, do medo e da desinformação, recordar a Revolução dos Cravos é reafirmar, com clareza, os valores que permitiram ao país sair de quase meio século de ditadura e entrar no caminho da liberdade, da democracia e da justiça social.
A Revolução dos Cravos não foi apenas uma mudança de regime: foi “abrir” as portas e janelas de uma sociedade sufocada pela censura, pela repressão e pela ausência de direitos fundamentais. Foi o momento em que os portugueses passaram a poder falar sem medo, votar livremente, associar-se, criar, pensar e discordar. Foi o início de um processo que consolidou instituições democráticas, direitos laborais, acesso universal à educação e à saúde, e uma nova ideia de cidadania.
Para as gerações que viveram sob o Estado Novo, a liberdade não é um conceito abstrato: é a diferença entre poder e não poder, entre viver sob vigilância e viver com dignidade. Para muitos jovens de hoje, no entanto, a democracia é um dado adquirido, quase um cenário natural que sempre existiu. E é essa distância temporal que cria o risco da indiferença, sendo precisamente aí que a celebração do 25 de Abril se torna crucial.
Celebrar o 25 de Abril é, por isso, um exercício de pedagogia democrática. É explicar às novas gerações o que significava viver com censura, não poder escolher governantes, temer a polícia política, ver amigos presos por simplesmente opinarem e ter horizontes de vida limitados. É mostrar que a liberdade de expressão, o direito ao voto, a igualdade perante a lei e a justiça social não são garantias eternas, mas sim conquistas que exigem vigilância e participação.
Mais do que olhar para o passado com nostalgia, importa usar essa memória como ferramenta para enfrentar os desafios do presente. Recordar a Revolução dos Cravos é lembrar que a liberdade foi conquistada por pessoas comuns, movidas por um desejo extraordinário de viver num país mais justo. Celebrar essa data é reafirmar que a democracia é um património coletivo que precisa de ser cuidado, transmitido e renovado, geração após geração.
Num tempo em que os populismos ganham terreno em Portugal e no mundo, alimentando-se do descontentamento, do medo e da desinformação, recordar a Revolução dos Cravos é reafirmar, com clareza, os valores que permitiram ao país sair de quase meio século de ditadura e entrar no caminho da liberdade, da democracia e da justiça social.
A Revolução dos Cravos não foi apenas uma mudança de regime: foi “abrir” as portas e janelas de uma sociedade sufocada pela censura, pela repressão e pela ausência de direitos fundamentais. Foi o momento em que os portugueses passaram a poder falar sem medo, votar livremente, associar-se, criar, pensar e discordar. Foi o início de um processo que consolidou instituições democráticas, direitos laborais, acesso universal à educação e à saúde, e uma nova ideia de cidadania.
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